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Embora estejam mais sólidos e capitalizados, os bancos brasileiros foram castigados pela tempestade financeira que assolou o mundo nas últimas semanas. Ontem, com o pânico instalado nas bolsas mundiais, o valor de mercado das instituições nacionais atingiu o menor nível desde 2006.

De maio (pico de alta) até agora, o preço dos bancos recuou US$ 111 bilhões, para US$ 149 bilhões, segundo levantamento da consultoria Economática.

Os bancos que mais sofreram com o mau humor dos investidores foram os de pequeno e médio portes, que fizeram lançamento de ações recentemente. O valor de mercado do Banco Cruzeiro do Sul, por exemplo, recuou 81,6% em relação ao pico de alta - de US$ 1,578 bilhões para US$ 290 milhões. A segunda maior queda, conforme o levantamento, foi verificada no Pine, cujo preço de mercado caiu 76,9% - de US$ 1,183 bilhão para US$ 273 milhões.

Entre as grandes instituições, o Unibanco teve a maior queda no valor de mercado, de 58%. De qualquer forma, o movimento não reflete a solidez do sistema bancário nacional, explicam especialistas. "As experiências do passado, como a quebra de bancos na década de 90 e a derrocada do Banco Santos, fortaleceram os bancos privados. Hoje, eles estão mais capitalizados e menos alavancados", afirmou o presidente da consultoria EFC, Carlos Coradi.

Além disso, com a piora da crise internacional, o Banco Central intensificou o monitoramento do sistema, visitou bancos e chamou alguns para conversar. O objetivo é acompanhar as exposições dos bancos e evitar que possíveis problemas se agravem e contaminem o setor. "A atenção está redobrada no quesito liquidez. Por isso, os bancos já estão mais seletivos na concessão de crédito e reduziram prazos de algumas linhas", disse o analista da Austin Rating Luis Miguel Santacreu.

"O que as instituições não podem é correr o risco de ver a deterioração da qualidade de suas carteiras", completou o analista João Augusto Salles, da Lopes Filho. Mesmo assim, há expectativa de que os índices de inadimplência possam subir nos próximos trimestres por causa de um menor ritmo de atividade brasileira.

Para o professor de finanças do Ibmec São Paulo, Domingos Pandeló, bancos médios devem sentir mais os efeitos da crise internacional que os grandes. A explicação está na diversificação das operações. "Os bancos médios têm maior concentração na captação de recursos, o que traz mais volatilidade."