RIO - O presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que as siderúrgicas chinesas estão ajustando as compras de minério de ferro, principalmente devido aos estoques existentes no país asiático. Para o executivo, a mineradora deverá aproveitar os próximos meses para recuperar os estoques nos portos, que estão praticamente zerados.

"Não tem embate com os chineses. Eles são nossos clientes. Estamos absolutamente tranqüilos para atender os chineses quando eles resolverem comprar. Por enquanto, eles não precisam comprar, e a gente não precisa vender", ressaltou.

Agnelli afirmou que hoje os clientes estão ditando o rumo dos preços, dado o rápido desaquecimento da economia global.

"O problema hoje não é questão de preços, é que não tem demanda. Está todo mundo priorizando a queima de estoque, o dinheiro no caixa. Ninguém quer consumir capital de giro", frisou o executivo. "Enquanto esse estoque não for eliminado, não adianta forçar as vendas, porque o preço é de liquidação. O comprador hoje está numa situação em que pode fazer o preço e quem está vendendo hoje está vendendo por necessidade", acrescentou.

Entre os clientes de longo prazo, a Vale ressaltou que o Japão e a Coréia do Sul ainda não apresentaram cortes na produção de aço e mantêm os volumes importados de minério de ferro.

Agnelli não descartou dar maiores prazos para os clientes nas compras futuras caso a crise comprometa a capacidade de pagamento das siderúrgicas. Atualmente, a Vale trabalha com pagamento à vista ou com 30 dias de prazo. O executivo garantiu que até o momento as grandes empresas brasileiras não reduziram encomendas e que problemas são notados apenas nas produtoras de ferro gusa.

Apesar de garantir que a empresa tem "musculatura" para enfrentar a turbulência mundial, Agnelli afirmou que os resultados do quarto trimestre não deverão ficar no mesmo nível do observado no terceiro trimestre, quando a mineradora teve o lucro recorde de R$ 12,4 bilhões.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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