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Vale nega saber de aumento de 20% para minério de ferro

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO - A mineradora Vale informou desconhecer aumento adicional de 20% para preços do minério de ferro, não confirmando informação de uma publicação especializada, divulgada nesta quarta-feira, que mexeu com os valores dos papéis da empresa nos mercados de ações.

Reuters |

"Atendendo solicitação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Vale esclarece que desconhece reajuste de 20% para o minério de ferro, conforme rumores observados no mercado", disse a empresa em comunicado.

"Ao mesmo tempo, a Vale informa que mantém permanente diálogo com seus clientes, buscando a negociação, em termos mutuamente satisfatórios, de condições comerciais, envolvendo entre outros fatores qualidade, volumes e prazos de fornecimento", acrescentou.

A publicação Steel Business Briefing, citando um suposto e-mail enviado pela Vale a clientes, disse que a mineradora havia requisitado aumento extra às siderúrgicas chinesas, depois de ter obtido este ano ajuste menor do que suas rivais para a commodity pela primeira vez em anos.

As concorrentes da Vale argumentaram com os asiáticos que deveriam receber mais pelo minério porque suas minas estão mais próximas dos chineses, o que acarretaria menores gastos com frete. Mas desde o fechamento dos preços pela Vale, os valores do frete marítimo caíram razoavelmente.

Com isso, o argumento de concorrentes como BHP e Rio Tinto perdeu força, o que poderia ter levado ao pedido de aumento por parte da Vale aos seus clientes asiáticos.

Um analista baseado em Xangai afirmou que o contrato da empresa brasileira com os asiáticos talvez inclua cláusula que permita ajustes dependendo da variação do preço do frete.

Mais cedo, a maior produtora de minério de ferro do mundo havia dito que não comentaria o assunto, mas um questionamento da reguladora do mercado brasileiro, CVM, obrigou a companhia a negar que soubesse de um eventual aumento.

A notícia fez as ações da Vale subirem mais de 4% no início do pregão, enquanto o principal índice do mercado, Ibovespa, oscilava entre pequenas altas e baixas. A ação resistiu inclusive à queda mais expressiva do Ibovespa, mas cedeu após o desmentido da Vale.

Ao final do pregão, a Vale caiu 0,6%, enquanto o Ibovespa perdeu 1,6%. Os papéis da companhia têm sofrido nas últimas semanas acompanhando a queda das commodities no mercado mundial, principalmente do níquel, seu segundo principal produto.

Analistas ouvidos antes do comunicado da mineradora afirmaram que o aumento seria "uma surpresa positiva". Para o analista Pedro Galdi, da SLW corretora, no entanto, o aumento não faz sentido em um momento que se fala de retração econômica em várias economias do mundo.

"É muito estranho, estamos falando em desaquecimento em várias economias... fica um pouco complicado", disse o especialista.

A Vale saiu na frente e ajustou em fevereiro o preço do minério para 2008, uma alta de 65% para o minério extraído no Sistema Sul (MG) e de 71% para o minério de alta qualidade de Carajás, no Norte do país.

Nos últimos cinco anos, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, ditava o aumento com o contrato de referência ('benchmark'), que era seguido pelas outras mineradoras.

Este ano, devido à grande demanda, principalmente da China, e aos valores elevados do frete marítimo, a BHP e a Rio Tinto se recusaram a praticar os ajustes fechados pela Vale em fevereiro e subiram seus preços em até 96,5%.

Se a Vale conseguisse o aumento adicional, os ajustes no ano passariam para 86,4% para o minério produzido no Sistema Sul da companhia e 92,4% para o Sistema Carajás, mais em linha com as rivais.

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