O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse hoje que a proposta de licença remunerada feita pela Vale aos sindicatos de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul tem o objetivo de manter o nível de emprego. Não queremos demitir.

Não temos intenção de demitir", disse após encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele lembrou que a proposta é de reduzir os salários em 50%, mas disse que todos os direitos serão mantidos. "Isso é temporário, até a gente passar essa fase de ajuste", afirmou.

Ele não soube dizer quantos empregados da Vale serão colocados de licença. Segundo ele, isso depende da negociação com os trabalhadores. De acordo com ele, os sindicatos dos dois Estados, com exceção do de Itabira (MG), concordaram com a proposta. Ele ressaltou, no entanto, que não é intenção da Vale colocar todos os seus funcionários em disponibilidade. Segundo Agnelli, a empresa tem hoje 5 mil empregados em férias que devem retornar logo ao trabalho e talvez a Vale coloque outros empregados em férias. "A gente está administrando de forma a passar esse período", disse.

Agnelli disse estar confiante em que, em dois ou três meses, a situação da economia comece a ficar mais clara. Segundo ele, o choque provocado pela crise financeira mundial foi "muito forte e muito duro", principalmente, no último trimestre do ano passado. "Foi uma queda de demanda brutal e temos de fazer os ajustes." Segundo Agnelli, no primeiro trimestre de 2009, é preciso ter paciência. No segundo trimestre, "as coisas começam a parar de piorar" e a situação só deve melhorar, segundo ele, no segundo semestre.

Sindicatos

Nem todos os sindicatos que reúnem trabalhadores da Vale em Minas se mostraram satisfeitos com a proposta apresentada hoje pela mineradora, que prevê a concessão de licença remunerada aos trabalhadores, sem a suspensão de contrato de trabalho e garantia dos níveis de emprego até o dia 31 de maio a todos os sindicatos que assinarem o acordo. Neste período, os funcionários receberão 50% do salário-base.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Metabase) de Congonhas e Ouro Preto, Valério Vieira dos Santos, "o acordo continua ruim". Ele revelou que a mineradora deverá conceder férias coletivas para a maioria dos trabalhadores da mina de Fábrica, em Congonhas, a partir do dia 16 de fevereiro, mantendo apenas uma pequena parcela para as atividades de manutenção. A companhia não confirmou a concessão das férias.

"A Vale é uma empresa totalmente diferenciada e poderia fazer uma proposta melhor", disse ele. O acordo, segundo Santos, não atende os trabalhadores e a intenção até o momento é não assinar. Na região de Congonhas, a mineradora possui cerca de 2 mil trabalhadores ligados ao sindicato.

Conforme o secretário-geral do Metabase Itabira e Região, Sebastião da Costa Deiró, a entidade só foi informada sobre o acordo por volta das 15 horas desta quinta-feira e até este momento toda a diretoria do sindicato está debruçada sobre os termos para fazer uma avaliação. "A princípio é uma proposta muito ruim, mas precisamos avaliar melhor e, se for o caso, convocar uma assembleia para apresentar o acordo", informou. O sindicato reuniu quase 2 mil trabalhadores no último dia 8 de janeiro em Itabira, para protestar contra as demissões feitas pela mineradora.

Para os sindicatos que concordam com as propostas, como o Metabase Mariana e o de Belo Horizonte e Região, o acordo é positivo, porque reduz a possibilidade de desemprego. Sebastião Alves de Oliveira, do Metabase BH, afirmou que "no momento é o melhor que podemos fazer para garantir os empregos".

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