Tamanho do texto

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Vale, Roger Agnelli, deixou claro nesta sexta-feira que não vai abrir mão do ajuste adicional para o minério de ferro ainda sobre os contratos de 2008, junto aos seus clientes asiáticos, indicando que as negociações em 2009 na região podem se prolongar para meados do ano.

Depois de projeções indicando aumento para o minério em 2009, da ordem de 20 por cento, analistas refizeram as contas com o agravamento da crise financeira no segundo semestre e hoje apontam expectativa de queda de preço entre 10 e 20 por cento.

Em 2008 a Vale fechou a elevação anual de preços em fevereiro e pela primeira vez em anos não foi seguida pelas rivais, que conseguiram mais tarde um aumento significativamente maior.

Com a retração da demanda e o consequente ajuste de produção da Vale --que reduziu em 10 por cento a sua capacidade de produção de minério de ferro--, a China só leva o produto brasileiro se pagar o mesmo que paga para os fornecedores australianos.

"Não temos nenhum embate com a China, eles podem comprar daqueles que eles acham que eles têm que comprar, não são obrigados a comprar da Vale, e também nós não somos obrigados a vender para eles", afirmou Agnelli, em entrevista após o anúncio do corte de produção para se ajustar à queda da demanda.

Segundo Agnelli, se os australianos conseguiram vantagens no preço por estarem mais perto da China que o Brasil, o minério brasileiro é de qualidade superior ao da Austrália, e por isso merece diferenciação. A empresa quer um ajuste de 12 por cento sobre o preço que já sofreu alta entre 65 e 71 por cento este ano.

"A siderurgia chinesa resolveu pagar para os australianos um preço maior do que a gente estava recebendo... nós falamos: 'ótimo, tudo bem, se a Austrália está mais próxima da China e merece preço maior, a minha qualidade de minério merece um preço maior'", explicou Agnelli.

Ele descartou, no entanto, qualquer embate com os clientes chineses, classificando o momento como movimento natural de mercado, em que "eles compram de quem eles quiserem e a gente vende para quem a gente quiser".

"Nós amamos os chineses, e acho que eles devem nos amar também, porque a Vale foi a empresa que mais investiu para atender a siderurgia chinesa, se nós não tivéssemos investido tanto quanto de 2001 para cá, a siderurgia chinesa não estaria produzindo hoje o que produz."

"Nós mais que dobramos a produção para atender a eles", destacou o executivo.

A Vale previa vender este ano mais de 100 milhões de toneladas para a China, seu maior cliente, mas com a retração da demanda não faz novas projeções. Segundo Agnelli, por ser o mercado que mais cresceu é também o que está sofrendo maior impacto com a retração de crédito no mundo.

"Naquele mercado (chinês), que estava mais aquecido, é onde a gente sente maior impacto, é onde a economia está desacelerando com maior velocidade... ela vem de 12 por cento de crescimento e deve cair para 8 por cento", estimou Agnelli.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.