SÃO PAULO - Apoiada mais uma vez nas ações da Vale e das siderúrgicas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caminha para o sexto pregão consecutivo de alta, algo não observado desde fevereiro do ano passado. Por volta das 13 horas, o Ibovespa apontava valorização de 1,51%, aos 42.

145 pontos, com giro financeiro de R$ 1,48 bilhão.

Para o economista da Win, home broker da Alpes Corretora, José Goés, a bolsa mantém o processo de alta apoiada em alguns fatores. O primeiro deles é a expectativa de corte de juros no mercado interno. " Temos a inflação caindo e o dólar recuando, o que deixa a situação melhor para o Banco Central cortar os juros. "
Ao mesmo tempo, aponta Góes, há a expectativa de um novo pacote de estímulo à economia norte-americana. Os rumores apontam para um plano de até US$ 1 bilhão dividido em isenção de impostos e investimento em infra-estrutura.

Fora isso, o economista lembra que, em um ambiente de juros tendendo a zero, é natural que as pessoas procurem aplicações mais arriscadas, com melhor expectativa de retorno. É o caso das ações pagadoras de dividendos e das commodities.

Para Góes, é possível que a Bovespa mude de patamar, sustentando os 40 mil pontos. " Mas também não acredito em altas muito maiores. "
Segundo o especialista, o mercado já trabalha com a expectativa de que o cenário pode melhorar daqui para frente, mas os dados tanto econômicos quanto corporativos garantem volatilidade aos negócios.

Hoje, a Bovespa informou que o saldo de negociação estrangeira em dezembro ficou negativo em R$ 439 milhões. Com isso, a saída de recursos estrangeiros no ano somou R$ 24,6 bilhões.

No entanto, os agentes de mercado apontam que os não-residentes estão atuando na ponta compradora neste começo de mês. Mantido tal movimento, janeiro pode encerrar uma seqüência se sete meses seguidos de saldo estrangeiro negativo.

Dentro do índice o destaque de alta segue com a ação PNA Vale, que ganhava 4,92%, para R$ 29,38. Ontem a ação chegou a subir mais de 8% refletindo a notícia de que a China irá importar matérias-primas como cobre de níquel, para processamento e posterior venda, modalidade de negócios conhecida como " toll trading " . O papel ON subia 3,73%, para R$ 33,36.

Bom desempenho também para ativo PN da Petrobras, que aumentava 2,58%, para R$ 25,75. O petróleo retomou os US$ 50 o barril de WTI. As siderúrgicas também seguem em alta, com o ativo ON da CSN apontando valorização de 3,61%, para R$ 35,80. Gerdau PN ganhava 2,41%, a R$ 17,41.

Segurando um desempenho melhor do Ibovespa, BM & FBovespa ON caía 1,43%, a R$ 6,88. Itaú PN perdia 0,69%, a R$ 28,75 e Bradesco PN recuava 0,20%, a R$ 24,65.

Ainda na ponta vendedora, Telemar ON desvalorizava 3,93%, negociada a R$ 36,89, e CCR Rodovias pedia 2,58%, a R$ 25,25. Redecard ON, Natura ON, Cesp PNB, Lojas Americanas PN, Duratex PN perdiam mais de 2% cada.

No mercado de câmbio, dólar continua perdendo valor ante o real. Segundo os agentes de mercado, há ingresso de recursos no país e, mais importante do que isso, os investidores estrangeiros estão reduzindo as apostas contra o real no mercado futuro. Entre sexta-feira e ontem essa posição caiu em cerca de US$ 1,3 bilhão, para US$ 11,9 bilhões. Há pouco, o dólar comercial valia R$ 2,206 na venda, queda de 2,08%.

Em Wall Street, o pregão também começa de forma bastante positiva, com o Dow Jones subindo mais de 1% com menor de meia hora de pregão. A bolsa eletrônica Nasdaq subia 1,23%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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