FLORIANÓPOLIS - A maioria das empresas têxteis da região de Blumenau voltou a operar nesta semana, depois das dificuldades causadas pela enchente. Teka, Hering e Dudalina são alguns exemplos de indústrias da região que sofreram com a falta de funcionários ao longo dos últimos dias, mas ontem já estavam praticamente com seu quadro completo.

De acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Blumenau (Acib), Ricardo Stodieck, em geral as empresas estão operando com 90% a 95% da sua força de trabalho.

Stodieck diz que alguns poucos funcionários ainda não retornaram ou porque perderam suas casas e ainda estão em abrigos ou por dificuldades de deixar crianças em creches. Algumas creches na cidade precisam ser reformadas.

A retomada dos funcionários foi gradativa nos últimos dias. As empresas ficaram 100% paradas em 24 de novembro, quando as enchentes paralisaram principalmente as cidades de Blumenau e Itajaí. A operação voltou de forma precária no dia seguinte, com cerca de 30% dos funcionários, e uma semana depois já estava com 70% do quadro de trabalhadores. A retomada mais forte ocorreu no início desta semana. As indústrias têxteis, tirando algumas exceções, não sofreram perdas de maquinários. O principal obstáculo para as operações era mesmo a falta de funcionários.

Stodieck explica que as indústrias estão dando apoio aos trabalhadores para que voltem o mais rápido possível. Dentre as iniciativas, ele explica que há, por exemplo, doação de cimento para reconstrução de casas. Diversas empresas propuseram aos funcionários o preenchimento de uma lista das necessidades mais urgentes para tentar supri-los. Os dias em que não operaram a plena carga, de acordo com os empresários, serão compensados agora com horas extras para recuperar o faturamento.

Marcello Stewers, diretor de exportação da Teka, diz que a empresa operava ontem com 97% dos seus funcionários e que justamente iria recuperar o faturamento com o uso de horas extras. As férias coletivas no fim do ano seguem mantidas.

Sônia Hess, presidente da Dudalina, diz que em Blumenau, onde fica a matriz da empresa, já está operando com normalidade, com o comparecimento de 95% do seu quadro de funcionários. Mas ela preferiu antecipar férias coletivas para os 215 funcionários da unidade localizada em Luiz Alves, onde ainda é inviável a locomoção das pessoas. As férias coletivas das demais unidades seguem mantidas para o fim do ano.

Por enquanto, as informações são de que somente a prefeitura de Blumenau cancelou as férias coletivas que daria aos funcionários no fim do ano. O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis (Sintrafite) informou que não há até o momento cancelamento de férias coletivas já programadas.

Para as empresas, as dificuldades ainda recaem sobre a logística. Algumas rodovias ainda estão interditadas no Estado e elas estão arcando com custos maiores para redirecionar suas cargas de exportação para outros portos, uma vez que Itajaí segue praticamente parado.

Ontem, o porto de Itajaí recebia apenas navio de pequeno porte para cabotagem. As cargas paradas são levadas até o porto de Santos (SP), para serem exportadas. A ordem de serviços para dragagem do canal de acesso do rio Itajaí-Açu é esperada para ser assinada nesta semana. No Porto de Navegantes, que utiliza o mesmo canal de acesso, também só entram navios de pequeno porte.

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