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Vale desiste de impor novo reajuste

Diante do enfraquecimento da economia mundial, que já se reflete na demanda por minério de ferro, a Vale desistiu de negociar um reajuste adicional de 12% para os clientes chineses neste ano, afirmou ontem o presidente da mineradora, Roger Agnelli. Vamos falar sobre essa questão com os chineses nas negociações para 2009, disse o executivo, que participou de evento com analistas em Nova York.

Agência Estado |

No entanto, ele deixou clara sua disposição de conseguir algum reajuste. "Não gosto de pagar a conta sozinho."

Segundo a companhia, o reajuste foi aceito por algumas empresas na Coréia e no Japão, para onde os embarques estão sendo realizados já com o aumento. De acordo com Agnelli, muitas tradings compraram minério a preços altos para vender para siderúrgicas pequenas e médias na China, mas isso provocou a formação de um grande estoque de minério no país. "As siderúrgicas locais querem comprar esse minério a um preço zero", disse. O executivo afirmou que, apesar dos desentendimentos, a Vale "ama os chineses" e os chineses "amam a Vale, sem dúvida". "Eles gostam de desabafar, mas negócios são negócios", disse.

Para Agnelli, o maior problema do mercado de minério de ferro é relativo à demanda, e não ao preço. "Alguns mercados estão completamente parados, sem negócios", disse o executivo. Ele afirmou que a Vale não está no mesmo barco que outras empresas, mas está "no mesmo rio e indo para a mesma direção". De acordo com Agnelli, a crise internacional é muito mais grave do que se previa em julho. Na sexta-feira, a empresa já anunciou um corte de 30 milhões de toneladas na sua produção de minério de ferro, como forma de se adequar à demanda mais baixa.

No caso da China, por exemplo, a produção das siderúrgicas está em queda desde setembro, e muitos pequenos fabricantes fecharam no último mês. Por causa disso, a previsão de analistas de mercado aponta para um corte nos preços do minério de ferro para 2009, depois de seis anos consecutivos de aumentos na casa dos dois dígitos - só em 2008 a alta foi de 70%. O banco UBS estima que o preço se reduzirá em 15%, enquanto o analista Hu Kai, da consultora Umetal, acredita que a queda será de 25%.

O presidente da Baosteel, Xu Lejiang, disse à agência Bloomberg que o consumo de aço da China em 2008 deverá cair a um patamar inferior aos 489 milhões de toneladas registrados no ano passado, o que vai criar um "sério desequilíbrio entre demanda e oferta".

O excesso de aço no mercado levou várias siderúrgicas, incluindo a Baosteel, a cortarem seus preços entre 20% e 60%, o que vai afetar seus resultados do quarto trimestre e de 2009. "É muito difícil para os fabricantes chineses de aço enfrentar quedas nos preços de aço e pagar valores recordes por matérias-primas", disse.

O aumento da demanda chinesa foi o principal fator de elevação dos preços do minério de ferro a partir de 2003. Depois de anos de reajustes modestos e da queda de preços de 2002, os valores passaram a ter altas recordes, que levaram a cotação do minério de ferro refinado em 2008 a um patamar quatro vezes maior que o de 2002. Com a desaceleração econômica e a redução da demanda chinesa, os preços tendem a cair.

Na Austrália, onde atuam os maiores concorrentes da Vale, a mineradora Mount Gibson anunciou ter fechado novos contratos com preços inferiores aos anteriores, após três de seus clientes terem ficado inadimplentes. No dia anterior, a empresa havia demitido 190 funcionários, o equivalente a um terço de sua força de trabalho.

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