Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Vale avança nos bairros de Itabira, onde nasceu

Quando a Vale foi privatizada, há pouco mais de uma década, os moradores de Itabira, cidade localizada a 110 quilômetros de Belo Horizonte, temeram por seu futuro. Muitos diziam que as minas de ferro estavam se esgotando e a empresa poderia deixar a cidade, esvaziando sua principal atividade econômica.

Agência Estado |

Hoje, Itabira vive uma situação oposta. Com a onda de investimentos em mineração, a cidade voltou a ser a maior exportadora de Minas Gerais e discute um novo problema: quais os limites para o avanço da Vale na cidade onde foi criada, em 1942.

Um exemplo desse novo momento de prosperidade está na recente iniciativa da mineradora de negociar a desapropriação, mediante indenização, de quase 200 famílias que residem em dois bairros (Vila Paciência e Vila Cisne) localizados bem próximos da mina do Cauê.

A Vale abriu negociação para comprar 193 casas, incluindo imóveis de médio e alto padrão e alguns bem simples - situados a poucos metros de uma linha férrea da mineradora.

Os moradores reclamam que os imóveis sofrem os efeitos da atividade de mineração, com rachaduras e outros problemas em decorrência das explosões. De acordo com André Flores, gerente de Planejamento e Aquisições da Vale, a intenção é criar na região um "cinturão verde" que amorteça os efeitos da mineração na cidade.

Segundo o sindicato dos mineradores de Itabira - Metabase - a Vale "avança" sobre a cidade desde as décadas de 1970 e 1980, quando algumas comunidades precisaram ser desapropriadas em razão da expansão das minas Conceição e do Cauê.

A atual negociação, contudo, é considerada inédita pela mineradora. "As outras minas (da Vale) não estão tão próximas aos municípios como Itabira. É o primeiro processo de negociação amigável com uma comunidade", disse Flores, que não revela detalhes das negociações.

Para o Metabase, o projeto evidencia o novo ciclo de expansão da Vale no município. "Daqui a pouco a cidade terá de mudar de lugar", exagera Carlos Borges, diretor do sindicato.

A empresa vai investir R$ 1,2 bilhão em Itabira entre os anos de 2008 e 2012 para revitalizar as minas. No mesmo período, toda o Quadrilátero Ferrífero, onde fica Itabira, receberá investimentos de R$ 15,4 bilhões, incluindo Brucutu, na cidade vizinha de São Gonçalo do Rio Abaixo, a maior mina do mundo em capacidade inicial de produção.

Em meados de 2003, a Vale anunciou um estudo geológico que mostrava que as jazidas de Itabira eram 68% maiores do que as estimativas anteriores. Na época, foi noticiado que as reservas foram calculadas em 1,13 bilhão de toneladas, quase o dobro das 677 milhões de toneladas previstas anteriormente. Hoje, a expectativa da Vale é que a exploração em Itabira dure mais 70 anos.

A reavaliação das jazidas veio acompanhada da forte alta do preço do minério, que refletiu o crescimento da demanda internacional. A alta do preço tornou economicamente atraente a exploração de rochas com menor teor de ferro.

Essas notícias dissiparam o clima de apreensão gerado em Itabira depois da privatização da companhia, em 1997, com a previsão que a exploração do complexo de minas chegaria à completa exaustão em 2025.

Há pelo menos três anos, o município que estampa o título de "Cidade do Ferro" em sua bandeira - como definiu o poeta e filho mais ilustre, Carlos Drummond de Andrade - figura no topo das cidades exportadoras de Minas. Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, de janeiro a agosto de 2008, as exportações a partir de Itabira somaram US$ 2,2 bilhões, um crescimento de 54,85% em relação ao mesmo período de 2007.

Após a drástica redução de postos de trabalho após a privatização, a Vale retomou nos últimos anos as contratações e atualmente emprega cerca de 7,2 mil pessoas na cidade - de 105 mil habitantes. Para o ano de 2009, a estimativa é que sejam abertas 800 vagas.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG