Diante da expectativa de que o mercado de minério de ferro e metais seguirá aquecido nos próximos anos, a Vale apresentará daqui a dois meses seu novo plano estratégico de crescimento, com mais de dez projetos adicionais ao original, que previa investimentos de US$ 59 bilhões para o período entre 2008 e 2012. Com isso, esse valor será substancialmente maior.

Além de expandir as atividades de minério de ferro e níquel, equivalentes a mais de 70% da sua receita, a empresa dará atenção especial aos setores de cobre e carvão.

Em entrevista ao Estado, o diretor Executivo de Finanças e de Relações com Investidores da Vale, Fábio Barbosa, afirmou que a compra de empresas faz parte dos planos da mineradora, como um complemento dos investimentos. "Sempre usamos aquisições como parte do processo de crescimento da empresa", afirma.

Pela primeira vez, a Vale admitiu que os alvos de compras são ativos de cobre e carvão, como o mercado vinha especulando. Até, então, falava-se apenas que os investimentos orgânicos - sem incluir aquisições - seriam concentrados nessas áreas. Juntos, os dois setores representaram cerca de 6% do faturamento da mineradora no segundo trimestre.

Preço do minério

Tradicionalmente uma referência mundial na negociação dos preços do minério de ferro, a Vale admite que o jogo mudou. Para 2009, Barbosa acredita que não haverá um percentual único de reajuste para todas as mineradoras e todos os tipos de insumo. Como já foi sinalizado neste ano, existe uma tendência, na sua opinião, de o mercado diferenciar os preços de acordo com a localização e a qualidade do insumo. E a Vale pretende obter novamente um prêmio para o preço do minério extraído das suas minas devido à sua maior qualidade.

Neste ano, a Vale conseguiu um prêmio para o minério extraído de Carajás, mas as mineradoras australianas obtiveram um reajuste ainda maior junto a seus clientes asiáticos em razão da proximidade, que diminui custos com frete. "É um processo um pouco mais complicado, mas que talvez reflita com mais propriedade as diferenças efetivas dentro de cada tipo de minério", disse Barbosa.

Cobre

A revisão do planejamento estratégico vai incluir novas etapas do projeto de Salobo, no Pará, na área de cobre. É possível que a meta de produção total de cobre da empresa seja elevada de 592 mil toneladas para 1 milhão de toneladas.

Em carvão, o maior potencial de crescimento está na Austrália, onde a empresa opera o projeto de Belvedere, no Estado de Queensland. Segundo Barbosa, o plano inicial da companhia é atingir uma produção total de 15 milhões de toneladas de carvão em 2012, mas essa meta é muito modesta em relação ao que pretende alcançar em 2013 e 2014.

Outros investimentos já anunciados pela empresa no setor de logística, siderurgia e fertilizantes também serão incluídos no novo plano estratégico. Somente um dos projetos, de construir uma siderúrgica no Pará, pode representar um adicional de US$ 3 bilhões.

A alta nos custos de produção mineral, provocada pelo aumento da energia, pela escassez de mão-de-obra e pela apreciação do real, também contribuirá para a revisão dos investimentos. "Quando estimamos aportes de US$ 59 bilhões a conjuntura era outra", disse.

Apesar dos temores do mercado em relação à volatilidade vivida pelo setor de commodities, a expectativa da mineradora para os próximos anos é positiva devido ao contínuo crescimento da China no setor de siderurgia. Segundo Barbosa, a queda das ações da Vale neste ano, que soma mais de 30%, está sendo provocada pela concentração da produção da companhia nesses produtos, mas os fundamentos, na sua avaliação, seguem fortes e atraentes.

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