A mineradora Vale anunciou ontem um plano de investimentos de US$ 14,2 bilhões para 2009 - um crescimento de quase 30% em relação aos US$ 11 bilhões planejados para este ano. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa aponta que seu foco estratégico no ano que vem será o crescimento orgânico, e não enfatiza eventuais compras de empresas concorrentes.

O documento da mineradora cita a crise financeira global, mas diz que "a despeito do choque financeiro e de suas repercussões negativas sobre a economia real, a Vale continua confiante nos fundamentos de longo prazo dos mercados de minérios e metais".

"À luz dos riscos impostos pelo ambiente econômico global, a Vale possui flexibilidade para administrar o desenvolvimento de seus projetos de acordo com sua avaliação a respeito da evolução das condições do mercado", diz o comunicado, que destaca uma expansão mais moderada das economias emergentes ao longo dos próximos trimestres, "sem que isso, contudo, resulte na ruptura de seu processo de crescimento econômico no longo prazo".

A empresa faz questão de enfatizar que tem uma sólida posição financeira, fruto de "sua forte geração de caixa, considerável estoque de liquidez derivado da captação de US$ 12,2 bilhões com a recente emissão de ações, linhas de crédito de longo prazo envolvendo quase US$ 10 bilhões concedidas por instituições governamentais de crédito do Brasil e do Japão", entre outros recursos.

O programa anunciado pela empresa prevê a execução de cerca de 30 projetos, localizados no Brasil, Canadá, Moçambique, Omã, Austrália, Indonésia e Peru, entre outros. De acordo com a Vale, os investimentos no Brasil receberão 69,8% dos recursos, totalizando US$ 9,9 bilhões. A empresa prevê investir US$ 1,1 bilhão no Canadá, US$ 831 milhões em Moçambique, US$ 515 milhões em Omã e os restantes US$ 1,9 bilhão em outros países.

No orçamento para 2009 estão previstos investimentos de US$ 11,652 bilhões em crescimento orgânico, o que corresponde a 81,8% dos dispêndios totais, sendo US$ 10,178 bilhões para a execução de projetos e US$ 1,473 bilhão em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Os gastos em P&D prevêem US$ 736 milhões dedicados ao programa global de exploração mineral, US$ 510 milhões para estudos conceituais, de pré-viabilidade e de viabilidade para o desenvolvimento de depósitos minerais já identificados e US$ 227 milhões para investimentos em novos processos, inovações tecnológicas e sua adaptação.

Os maiores fluxos de investimentos em projetos durante 2009 se referem a Carajás 130 Mtpa (US$ 798 milhões), Serra Sul (US$ 675 milhões) e Onça Puma (US$ 597 milhões). De acordo com a Vale, estão previstos aportes de US$ 4,785 bilhões em minerais não ferrosos e de US$ 4,179 bilhões para minerais ferrosos. Em infra-estrutura, serão investidos US$ 822 milhões em energia e US$ 3,027 bilhões em logística. Para o carvão, estão orçados dispêndios de US$ 808 milhões. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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