A mineradora Vale comprou 25% de participação no bloco exploratório BM-S-47, na Bacia de Santos, área com potencial para descobertas de de gás natural. A fatia foi comprada da espanhola Repsol, que permanece com 25% da concessão.

O restante pertence à companhia britânica BG, responsável pela operação do projeto. A Vale estreou no setor de petróleo e gás no ano passado, em busca de suprimento de energia para as suas atividades.

O BM-S-47 fica próximo ao campo de Merluza, uma das únicas áreas hoje em produção na Bacia de Santos. É o resultado da fusão de duas concessões menores arrematadas pelo consórcio BG/Repsol na 7ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2006. Em abril deste ano, um poço perfurado pela BG encontrou indícios de gás natural na área. Não há, porém, informações sobre volumes descobertos.

Procurada, a Vale não quis comentar a aquisição, aprovada pela diretoria da ANP no dia 13 de agosto. Na 9ª Rodada de Licitações da ANP, no ano passado, a companhia arrematou nove áreas exploratórias, sempre em parceria com petroleiras. "Como grande consumidora de energia, a Vale busca a diversificação e otimização de sua matriz energética por meio da maior utilização do carvão térmico, combustíveis renováveis e gás natural", disse o grupo em nota divulgada após o leilão.

Alguns meses antes, a companhia já havia anunciado parceria com a Shell para avaliar oportunidades na exploração de gás. A parceria previa a possibilidade de entrada da mineradora em projetos de exploração de petróleo da multinacional na bacia do Espírito Santo - Estado onde a companhia tem um grande terminal de exportação de minério, pelo Porto de Tubarão, e planeja construir uma siderúrgica, em parceria com a chinesa Baosteel.

A BG, que é sócia em descobertas gigantes da Bacia de Santos, como Tupi e Carioca, encontrou em 2003 indícios de gás natural em bloco vizinho ao BM-S-47, o BM-S-13, arrematado na 3ª Rodada de Licitações da ANP, em 2002. A companhia britânica controla a distribuidora de gás canalizado Comgás, que abastece a região metropolitana de São Paulo e Baixada Santista, e procura ampliar suas fontes de suprimento do combustível, hoje vendido quase que exclusivamente pela Petrobrás.

A Vale também tem áreas próximas ao BM-S-47: são três blocos arrematados na 9ª Rodada. Todos os blocos da área margeiam a reserva de Merluza, descoberta pela Shell na época dos contratos de risco com a Petrobrás. O campo produz hoje cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia.

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