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Vale adia discussões sobre reajuste do minério

O presidente da Vale, Roger Agnelli, deixou claro ontem que a companhia mudou de estratégia em relação às negociações de preço para o minério de ferro. Pela primeira vez, o executivo admitiu que o início das negociações para 2009 deve demorar, e disse também que a empresa está disposta a aceitar que o grupo siderúrgico ArcelorMittal, seu principal cliente, não cumpra todos os contratos de compra de minério.

Agência Estado |

"Ninguém tem condições hoje de negociar nada. No mundo inteiro, a pressão é grande. Acho que o consumo de Prozac está aumentando", brincou o executivo, ao lembrar que ainda é cedo para avaliar o impacto exato da crise sobre as economias mundiais.

A nova estratégia da Vale veio à tona poucos dias depois de a companhia anunciar a desistência de impor reajuste adicional de 12% às siderúrgicas chinesas. Com um discurso mais adequado ao cenário atual de recessão, Agnelli lembrou que a crise obrigou a ArcelorMittal a reduzir sua produção em um ritmo "fortíssimo".

"Como eu vou querer que ela honre contratos agora? Onde ela vai pôr o minério? A gente tem de entender que existe um problema do lado de lá", afirmou o executivo, na saída do Claro Summer, evento de moda realizado no Rio. Agora, diz Agnelli, sua intenção é conversar com o presidente do grupo siderúrgico, Lakshmi Mittal, para avaliar como a mineradora brasileira pode ajudar nesse período de maior retração nos negócios. "Se eu puder, vou ajudar."

O executivo já trabalha com números mais fracos para o último trimestre deste ano por conta da desaceleração da economia mundial. Segundo ele, com a queda nas vendas, a companhia vem aproveitando para recompor estoques estratégicos. Mesmo assim, foi enfático ao descartar novos cortes de produção além das 30 milhões de toneladas de minério de ferro anunciadas no final de outubro.

Um dia depois de a controladora ArcelorMittal anunciar cortes de produção para acompanhar a retração da demanda, a unidade da empresa no Espírito Santo, a ArcelorMittal Tubarão, anunciou que vai reduzir em 35% a produção de aço no Brasil. Para isso, a empresa decidiu antecipar a parada programada de um dos três alto-fornos da companhia, prevista anteriormente para 2011. Além disso, segundo a empresa, os outros dois alto-fornos vão operar em "marcha reduzida".

A ArcelorMittal Tubarão inaugurou seu terceiro alto-forno há um ano, após ter adiado por anos essa decisão. Na ocasião, Lakshimi Mittal, anunciou investimentos de US$ 5 bilhões no Brasil até 2012. "Essa redução da produção, iniciada ainda em setembro em função da desaceleração do mercado mundial de semi-acabados, foi acentuada nas últimas semanas devido à diminuição do volume de compras e postergação da entrega de pedidos por parte de nossos principais clientes internacionais", disse a empresa, em nota.

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