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Vaivém do dólar ameaça agricultura, diz consultora

A valorização que o dólar vem sofrendo desde o início de setembro e que já fez a moeda americana passar de R$ 2,30 pode fazer com que os produtores voltem a sofrer com o descasamento cambial. A afirmação foi feita por Amarillys Romano, analista da Tendências Consultoria em entrevista à Agência Estado.

Agência Estado |

Segundo ela, a expectativa é de que o pior momento do câmbio é o atual e que, nos primeiros meses de 2009, o dólar deverá voltar para um patamar entre R$ 1,80 e R$ 1,90, desequilibrando investimentos feitos agora com o momento da comercialização.

"Um dos motivos que fizeram a renda do produtor ser fortemente prejudicada há três anos, durante a crise do agronegócio, foi o fato de o plantio ser feito com o dólar elevado e a comercialização ser realizada com a moeda americana valendo menos. Esse descasamento compromete a renda do produtor porque a rentabilidade projetada pelos produtores com o câmbio acima de R$ 2 seria bem menor no momento de comercialização da safra", disse ela.

O principal problema para o agronegócio, com a crise atual, é a falta de recursos privados para financiar o setor produtivo brasileiro. Diante da falta de liquidez internacional, as empresas que sempre financiaram o agronegócio não conseguem mais disponibilizar recursos aos produtores, pois não encontram mais capital disponível. "O governo precisa manter a liquidez nos instrumentos tradicionais, como o ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), para manter as exportações", afirma Amarillys.

Mesmo com as dificuldades para se plantar a próxima safra, a consultora não prevê efeitos negativos sobre a produção neste ano. Ela ressalta, no entanto, que a produtividade pode sofrer com os efeitos da falta de recursos para aquisição de insumos, mas que esse fator também pode ser compensado com um clima favorável. "Uma queda na produção brasileira, se ocorrer, poderia elevar os preços já no início do ano que vem", afirma.

Na avaliação da consultora, diante da falta de crédito e liquidez no mercado internacional, os investimentos que vinham sendo feitos no setor sucroalcooleiro podem passar por um período de desaceleração. As práticas de sustentabilidade também podem ser menos cobradas a partir de agora. Para Amaryllis, os investimentos e metas de práticas sustentáveis na agricultura serão mais seletivas, já que os recursos são escassos. "Não haverá retrocesso, mas os avanços serão mais limitados", disse.

A consultora também não vê uma bolha na agricultura brasileira, como o defende o economista Joseph Stiglitz, segundo entrevista publicada com exclusividade pelo Estado. Segundo ela, a agricultura brasileira cresceu sobre expansão de área, maior uso de tecnologia e diante de um quadro de demanda mundial sustentada.

Além disso, a queda das commodities que seria a conseqüência do estouro da "bolha" tende a ser neutralizada por qualquer redução na oferta de commodities agrícolas pelo Brasil. "Se a produção recuar em função da falta de crédito, a oferta cai e os preços sobem. Isto, vinculado à demanda, especialmente da Ásia, vai continuar dando suporte às commodities depois de superado esse quadro de turbulência", afirma. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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