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Vai trocar de operadora ou não vai? Por Filipe Serrano São Paulo, 04 (AE) - Está valendo para todo o País a nova regra que permite trocar de operadora e ficar com o mesmo número de telefone fixo ou móvel. A norma, que começou a vigorar na segunda-feira (2), provocará uma verdadeira guerra de gigantes.

Só na Grande São Paulo, uma das últimas regiões a ter o serviço, são cinco operadoras de celular. Na telefonia fixa, a Telefônica vê concorrentes como a Net, Embratel e Tim cutucando o mercado em que tinha monopólio.

Não há mais nada que impeça você de mudar. Só que, antes de se livrar da operadora atual, surgem as dúvidas: serei melhor atendido, o sinal pegará onde a outra não alcança, os preços serão menores? Ou as reclamações continuarão iguais, e só o nome da empresa muda?
Pela experiência de quem tenta trocar de operadora, desfrutar da portabilidade numérica (como é chamado o serviço) tem sido um sufoco. Desde o início de fevereiro, o carioca Victor Rocha de Medeiros, de 29 anos, até se esforça para deixar a operadora, mas cada empresa lhe dá uma desculpa diferente.

"Quero sair da Claro porque acho que a cobertura não está boa, o atendimento é terrível e me cobram para receber ligações fora da cidade", conta Victor, que é tatuador. "Fui na Tim, na Oi e na Vivo e me falaram que não era possível transferir o número, ou que eu tinha de fazer a solicitação para a Claro. Pediram até para levar a nota fiscal do celular, que eu ganhei de presente! Parece que fazem isso para eu desistir."
Não desista, Victor. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), nenhuma operadora pode recusar o pedido de portabilidade. Ele até pode ser negado, depois do processo, se você passar dados errados, como o endereço. Mas aí você pode fazer o pedido outra vez e corrigir o erro.

O pedido, aliás, só é feito com a operadora para a qual você quer mudar. Não precisa nem comunicar sua empresa atual. E não tem dessa de apresentar nota fiscal do aparelho.

E DEPOIS, COMPENSA? - As dificuldades continuam depois de mudar de operadora. Há mais de 10 anos na Vivo, Adriano Carvalho tirou seu número de lá no primeiro dia em que a portabilidade chegou em sua cidade, Itaí (SP), em setembro.

Ele mudou para a Claro, mas já pediu para voltar para a Vivo porque não lhe deixaram trocar a linha, que é pré-paga, para pós. "Estava descontente com o excesso de tarifas da Vivo, porém, na Claro me deparei com atendentes despreparados que sequer sabiam o que era portabilidade", conta. "Levar o número ainda não soluciona os problemas. Talvez no futuro, quem sabe, se as empresas aprimorarem a prestação de serviços."
De fato, a portabilidade não salva ninguém, mas dá poder de escolha. Se o cliente estiver irritado, troca de operadora e não perde o número. "O objetivo não é aumentar a concorrência, mas disponibilizar um direito do usuário. A concorrência é efeito secundário. As operadoras terão de melhorar a cobertura, o preço e o atendimento", diz Luiz Antonio Moura, que coordena o grupo de implementação da portabilidade, da Anatel. "Espero que não aconteça de o usuário se desiludir (com todas as empresas)."
Alex Siqueira, de Bauru (SP) sabe bem o que é isso. Ele já foi cliente de todas as operadoras e levou dois números da Tim para a Vivo em setembro, esperando uma cobertura melhor e um desconto no celular novo. O aparelho é uma maravilha, mas o sinal da Vivo não pega nos mesmos lugares de antes.

"Achei que iria economizar muito mais nas ligações, mas isso não aconteceu. Por enquanto, só valeu a pena ter trocado porque consegui um desconto muito bom na compra dos telefones", diz.

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