Há divergência entre presidentes de centrais sindicais e especialistas em trabalho sobre a decisão do Codefat de usar o dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador - R$ 200 milhões - para financiar o capital de giro das revendedoras de veículos. Há quem acredite que essa seja uma maneira de garantir que os empregos sejam mantidos.

Outros são contra por considerar que o dinheiro do FAT não deveria ser gasto com empresas.

A injeção de recurso nos setores atingidos pela crise preocupa o economista da Universidade de São Paulo, Hélio Zylberstajn, por ser muito seletiva.

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, foi pego de surpresa com a decisão. Ele negociava com o Codefat a inclusão das revendas de motos no pacote. Apesar do atropelo, o sindicalista concorda com o pacote. "Desde que a contrapartida seja a manutenção de empregos é uma medida bem-vinda."

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, também não sabia da medida de ajuda e diverge: "As empresas precisam é de crédito do sistema financeiro, que o juro e o spread bancário diminuam. Assim a função do FAT simplesmente é distorcida".

Para o coordenador da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Dirceu Travesso, a injeção de recursos do FAT em empresas privadas não garante manutenção do emprego. "O dinheiro deveria ser direcionado para obras públicas ou, quando vai para alguma empresa, imediatamente deveria ser colocada a questão da estatização dessas companhias."

O dinheiro para as revendedoras de automóveis usados é defendido como uma maneira de reativar a cadeia automotiva pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. "A venda de automóveis novos depende da venda dos veículos usados, um setor que tem sido bastante impactado por essa crise." Nobre alerta, no entanto, para a necessidade de que essa medida seja acompanhada do compromisso da manutenção dos empregos.

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Clemente Ganz Lúcio, diz que o aporte de recursos para o setor de automóveis usados foi uma das propostas dos sindicatos e representantes do setor automotivo ao governo. "Acredito que essa medida possa gerar um incentivo ao mercado de automóvel usado com bons impactos sobre o emprego no curto prazo."

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