A esperada acomodação da atividade industrial no segundo semestre não vem se confirmando, pelo menos de acordo com os dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O resultado do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) de julho, de 84%, foi o maior de toda a série histórica com ajuste sazonal, iniciada em 2001. De janeiro a julho, o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista acumula alta de 8,9%.

"O INA de julho pode ser considerado positivo, expressivo, e demonstra o bom desempenho da indústria paulista, contrariando nossas próprias expectativas de acomodação", disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini.

O desempenho da indústria paulista, aliás, tem sido superior à média nacional. Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM) do IBGE, a indústria brasileira acumula alta de 6,7% em 12 meses. Mas a PIM aponta que a indústria paulista, sozinha, apresentou alta de 8,9% no período; já o restante da indústria, sem São Paulo, teve elevação de 5,3%.

Esse distanciamento das curvas ocorreu a partir do fim de 2007, e segundo Francini, o motivo é o bom desempenho de alguns setores industriais cuja concentração no Estado é maior - papel e celulose, álcool, borracha e plástico, metalurgia básica, veículos automotores e outros equipamentos de transporte.

O Nuci, no entanto, não deve ser motivo de preocupação em relação à inflação, disse Francini. Em 2009, a Fiesp pretende reformular o cálculo do indicador, que ficou defasado depois dos recentes investimentos das empresas. Para se ter uma idéia, enquanto a atividade industrial subiu 9,4% em relação a julho de 2007, o Nuci saiu de 83,7% para 84%.

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