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Usinas de cana adiam investimentos

Apesar de muitas usinas de açúcar e álcool estarem conseguindo rolar suas dívidas, com acesso a crédito de curto prazo dos bancos, o cenário ainda é de apreensão em relação à crise mundial e o setor segue adiando novos investimentos. Mesmo com uma perspectiva de preços melhores do açúcar no mercado internacional na safra 2009/2010, o setor continua com o freio puxado quando o assunto é expansão.

Agência Estado |

De uma expectativa inicial de entrada em operação de 43 usinas na safra 2009/2010, apenas 22 deverão efetivamente acionar as caldeiras, de acordo com estimativa de Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. Segundo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o dinheiro negociado entre usinas e bancos está sendo usado como capital de giro, para tapar os buracos existentes, resultado não apenas da crise de crédito mundial, mas de dois anos de preços baixos. "Novos investimentos, apenas com a entrada de dinheiro novo, e isso está raro no momento", diz.

Eduardo Pereira de Carvalho, conselheiro da ETH, braço sucroalcooleiro do Grupo Odebrecht, confirma o retorno da concessão de crédito às companhias de açúcar e álcool, porém, com novas condições de financiamento. "É verdade que os bancos voltaram a oferecer, mas é óbvio que, com o atual cenário, vão apertar mais o cravo, vão aumentar juros e pedidos de garantia", diz.

Com a crise, o custo do dinheiro passou de 4% ao ano para os atuais 15% ao ano, depois de atingir até 24% ao ano no ápice da turbulência, no final de 2008. A expectativa agora é que a queda na taxa básica de juros (Selic), de um ponto porcentual, definida esta semana, amenize o aperto de liquidez aos exportadores.

Mesmo assim, a crise deve deixar cicatrizes no setor. Para Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan, deve haver uma onda de compras e de concentração entre as usinas de açúcar e álcool. "O difícil é saber quanto tempo a crise irá durar, já que os mais pessimistas falam até 2010 e os otimistas acreditam na melhora do cenário no segundo semestre."

Segundo ele, os efeitos da crise devem persistir mesmo com a expectativa de aumento na demanda por açúcar e álcool em 2009. "O açúcar tem um aumento natural de consumo de até 2,5% ao ano e não é um item caro na cesta básica. Já o álcool também deve seguir com um mercado aquecido, principalmente com o governo incentivando a compra de carros."

O vice-presidente geral do grupo Cosan, Pedro Mizutani, acredita que o volume de fusões, aquisições e joint ventures deverá crescer nos próximos meses em função da crise de liquidez. "O valor de mercado das empresas caiu muito nos últimos meses. Ainda está complicado mensurar o valor real de uma usina depois da crise. Se vendidas, dificilmente cobrirão o custo de construção. Porém, muitas usinas serão obrigadas a vender seus ativos." Mizutani afirma que a Cosan está estudando algumas possíveis aquisições, que estejam em conformidade com o projeto do grupo.

O negócio mais encaminhado de aquisição no setor sucroalcooleiro é o do Grupo NovAmérica, uma das maiores companhias de açúcar e álcool do País, dona da União, marca líder no varejo de açúcar. A companhia admite já ter propostas para a aquisição de parte do seu braço sucroalcooleiro e um possível negócio deve ser anunciado até o início da safra 2009/2010, ou seja, entre um ou dois meses.

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