Ribeirão Preto, SP, 3 - A colheita da safra de cana-de-açúcar 2010/2011, que deverá ser a mais longa da história, começou ontem nas Usinas Lins e Batatais. Ambas anteciparam suas safras, enquanto a maioria deverá começar só no dia 15.

Juntas, as duas usinas deverão moer 5,660 milhões de toneladas de cana. "Os canaviais estão muito bons e tem muita cana para cortar, pois a chuva segurou para todas as usinas em 2009", diz o presidente das Usinas Batatais e Lins, Bernardo Biagi. Segundo o empresário, as duas usinas deverão fechar a safra em 20 de dezembro.

E, com preços melhores tanto para o álcool quanto para o açúcar, os usineiros esperam uma boa safra, enquanto os consumidores, proprietários de veículos, ficam na expectativa de que o preço do etanol (álcool hidratado) diminua nas bombas dos postos. "Tudo indica que deverá cair, como nos últimos anos", diz Oswaldo Manaia, presidente da regional de Ribeirão Preto do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro). O preço chegou a R$ 1,89 por litro no início do ano e hoje varia entre R$ 1,60 e R$ 1,70.

"Agora os preços de nossos produtos melhoraram, depois de um prejuízo durante 26 meses seguidos, até a metade de 2009", comenta Biagi, acreditando que o reflexo da queda de preço para o consumidor será progressivo, à medida que a nova colheita seja processada.

A Usina Lins, com 25 mil hectares de cana, que só produz álcool hidratado, vai moer 1,910 milhão de toneladas, 16% mais que na safra anterior (1,652 milhões). A produção de álcool deverá atingir 162 milhões de litros, ou seja, 24% mais que no ano passado (131 milhões). Essa unidade terá 1 mil funcionários na safra iniciada, superando os 880 da anterior.

A Usina Batatais, com 50 mil hectares, vai moer 3,750 milhões de toneladas de cana, 6% mais que as 3,550 milhões de toneladas de 2009. A unidade, que manterá os 2.100 funcionários da safra passada, terá aumento de 10% na produção de açúcar (passando de 5,040 milhões de sacos de 50 quilos para 5,555 milhões) e 8% na de álcool anidro (141 milhões de litros, ante 130 milhões da anterior).

A crise financeira mundial e os preços baixos no setor dificultaram os investimentos dos usineiros na safra anterior, que ainda enfrentou o excesso de chuva no segundo semestre. Isso atrapalhou a colheita de cana e a produção de etanol, gerando um cenário atípico. "Não foi legal para o produtor nem para o consumidor", afirma Biagi.

Com a explosão de vendas de carros flex, o consumo de etanol aumentou, mas a colheita foi insuficiente, por causa das chuvas. Consequentemente, o preço na bomba subiu, principalmente entre janeiro e fevereiro, forçando os donos de carros flex a partir para o consumo de gasolina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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