A usina hidrelétrica San Francisco, no Equador, teve problemas na construção de túneis: sofreu danos no duto subterrâneo que provocaram a paralisação da operação das turbinas em 6 de junho. A central havia sido inaugurada em 2007 e a usina teve suas operações paralisadas por causa de fissuras que apareceram nos túneis condutores de água.

Os geradores não estão operando para que seja realizado conserto dos erros estruturais detectados. O contrato utilizado foi o modelo turn-key (preço fechado), em que cabe aos empreiteiros a execução do projeto, da obra e a fiscalização. A construção ficou a cargo da Odebrecht em consórcio com a Alstom e a Vatech.

A central hidrelétrica é a primeira usina no mundo totalmente subterrânea, programada para responder por 12% da energia hidrelétrica do país. Custou mais de US$ 338 milhões, sendo 75% financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Somente os reparos estão orçados em aproximadamente US$ 12 milhões, segundo o Conselho Nacional de Eletricidade do Equador (Conelec).

O governo do Equador fala em "erros de fiscalização" do projeto por parte da empresa brasileira, em possível utilização de material com qualidade inferior e aceleração do ritmo das obras - entregues nove meses antes do prazo. No contrato estava previsto pagamento de prêmio caso a usina fosse concluída antes da data determinada pelo projeto.

Até segunda-feira, 292 técnicos e engenheiros trabalhavam na usina, com o suporte de consultores nacionais e internacionais 24 horas por dia, sete dias por semana. Não há informação de uso de material de menor qualidade para economia de dinheiro e nem de aceleração dos trabalhos para obter o bônus contratual de US$ 13 milhões.

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