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Usina é a nova vítima dos derivativos

A Santelisa Vale, uma das maiores produtoras de açúcar e álcool do País, é a mais nova vítima de operações de derivativos no mercado de câmbio. Com a alta do dólar, suas dívidas em moeda americana também dispararam.

Agência Estado |

Essas operações trouxeram dívidas de cerca de US$ 300 milhões (o equivalente a R$ 630 milhões) para a empresa. A Santelisa fatura cerca de R$ 1,5 bilhão por ano.

O diretor financeiro da Santelisa, Mark Garman, diz que o valor dessa dívida é compatível com a arrecadação em dólares com as exportações de açúcar e álcool da empresa. As vendas externas anuais da Santelisa, diz ele, também somam cerca de US$ 300 milhões. "Nossa receita com exportações é proporcional às dívidas", disse.

A Santelisa Vale é o quarto grande grupo nacional a reconhecer os efeitos de operações de derivativos de câmbio em seu balanço financeiro. Antes dela, Sadia, Aracruz e Votorantim haviam anunciado perdas bilionárias com apostas na valorização do real. Assim como os três outros grupos, a Santelisa comprou derivativos que apostavam na apreciação do real - e sofreu com a forte virada do mercado.

Em alguns casos, as perdas das empresas são multiplicadas em escala exponencial cada vez que o dólar atinge um novo patamar. Já nos contratos da Santelisa, diz Garman, os pagamentos que a empresa precisa fazer são diretamente proporcionais à variação do câmbio. "É um para um", diz Garman.

A Santelisa está conversando com bancos para refinanciar sua dívida total de curto prazo, que chega a R$ 1 bilhão. Garman afirma que se trata de um processo de rotina. Ele disse que "mais da metade" do R$ 1 bilhão já foi renegociada para ser paga em prazos mais longos.

O resto, diz ele, é capital de giro para financiar o estoque de açúcar e álcool que, devido ao final da safra, está no nível máximo. "A gente está refinanciando todas as dívidas de curto prazo, os bancos estão recebendo muito bem a estratégia da empresa e estamos tendo sucesso no refinanciamento das linhas de curto prazo, pois o plano da empresa é consistente", disse Garman.

O executivo disse que a exposição cambial no curto prazo de US$ 300 milhões "é condizente com o nível de exportação" da companhia. "Buscamos agora, com essa variação cambial que trouxe um aumento na dívida, alongar isso para recuperar esse ajuste nos próximos 12 meses, pois tentamos adequar a exposição cambial ao nível de exportação da companhia."

Garman informou ainda que a empresa levanta recursos por meio de vendas de propriedades rurais, mas afirmou que as negociações, iniciadas em abril deste ano, ocorrem por uma estratégia da companhia de se desfazer de ativos com rendimentos menores. "São coisas pequenas para apoiar o crescimento da empresa, que inclui a construção do pólo alcoolquímico com a Dow", afirmou o executivo, sem revelar os valores arrecadados com a negociação.

"Vendemos uma fazenda agora e não é tão relevante, mas estamos em estudo para definir quais propriedades serão vendidas", completou. No mercado, estima-se que o grupo pode vender propriedades no valor de R$ 200 milhões.

Garman não quis comentar os rumores de mercado que acionistas da Santelisa Vale estariam negociando a participação na Sermatec, indústria especializada na fabricação de máquinas e equipamentos para usinas de açúcar e álcool. Assim como a Santelisa, a Sermatec é controlada pela família Biagi, da região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. "Não somos donos da Sermatec e não posso falar", disse Garman.

O executivo disse ainda que a dívida de mais de R$ 1 bilhão contraída no ano passado com bancos para comprar ações de alguns sócios e viabilizar a fusão das usinas Santa Elisa e Vale do Rosário - o que deu origem à Santelisa Vale - foi reduzida no início de 2008 para menos de R$ 300 milhões, com a entrada de novos associados, como o BNDESPar (braço de participações em empresas do BNDES) e o banco americano Goldman Sachs.

A Santelisa Vale é dona das usinas Santa Elisa, Vale do Rosário, MB e Jardest, todas na região de Ribeirão Preto e detém 65% da Continental, em Colômbia (SP) e 50% da Tropical Bioenergia, construída em Edéia (GO) por meio de uma parceria com o Grupo Maeda.

A empresa tem ainda 72% da Crystalsev, trading que, além de negociar açúcar e álcool, é sócia da Dow na construção do pólo alcoolquímico para a produção de plástico a partir de etanol, em Minas Gerais, cujos investimentos chegam a US$ 1 bilhão.As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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