A Usiminas anunciou ontem a troca no comando do grupo. Após assumir em abril de 2008 e enfrentar uma forte resistência interna, o atual presidente, Marco Antônio Castello Branco, comunicou que deixará a presidência da companhia ao final de seu mandato, no próximo dia 30.

A Usiminas anunciou ontem a troca no comando do grupo. Após assumir em abril de 2008 e enfrentar uma forte resistência interna, o atual presidente, Marco Antônio Castello Branco, comunicou que deixará a presidência da companhia ao final de seu mandato, no próximo dia 30. Castello Branco será substituído pelo atual presidente do conselho de administração, Wilson Brumer. Em quase dois anos, a gestão de Castello Branco foi marcada pela tentativa de empreender mudanças profundas na companhia, o que desagradou funcionários antigos e grupos alinhados ao ex-presidente Rinaldo Campos Soares, que comandou a Usiminas por 17 anos e continua na empresa como membro do conselho de administração. "Com toda certeza, ela (a resistência) deve ter sido um fator na análise que foi feita pelos controladores, e na minha também. É um momento de transição que motivou algumas resistências. Naturalmente, isso atrapalha o dia a dia da condução dos negócios. Não é bom para uma empresa. Daí a minha total compreensão e colaboração para fazer essa transição", admitiu Castello Branco. "Esses últimos movimentos não facilitaram." Sinal de que a turbulência interna influiu decisivamente na troca de comando, Brumer aproveitou o anúncio para mandar uma mensagem aos empregados da empresa. Por mais de uma vez durante a entrevista coletiva, pediu diálogo, compreensão e serenidade. "Quero muito neste momento pedir a todos muita paz, muita serenidade", disse. "Não considero que há vencidos nem vencedores nesse processo." O anúncio ocorre na véspera da reunião do grupo de controle da Usiminas, que definirá os assuntos a serem levados à assembleia de acionistas, no dia 30. No mesmo dia, será realizada a reunião do conselho de administração. Em fevereiro, o Conselho Deliberativo da Caixa dos Empregados da Usiminas (CEU), que possui 15,86% das ações vinculadas no conselho de administração, decidiu por unanimidade não respaldar a renovação do mandato do atual presidente. A deliberação foi registrada em cartório. Rinaldo é o representante da CEU no Conselho, mas, segundo Brumer, seu mandato também não será renovado - ele será substituído pelo atual presidente da CEU, Romel de Souza. Denúncias. A guerra interna na Usiminas veio à tona no início do ano, quando a empresa foi alvo de uma representação no Ministério Público do Trabalho (MPT), acusada de ter submetido executivos a assédio moral e sexual durante treinamentos realizados pela consultoria SID APA, do médico e antropólogo Ely Bonini. Posteriormente, o Sindicato dos Trabalhadores (Sindipa), em um de seus informes, chegou a denunciar a contratação pela direção de um suposto espião israelense. Nestes dois anos, a Usiminas também foi fortemente impactada pela crise financeira internacional e perdeu mercado para a CSN, o que também levou críticas à gestão de Castello Branco. Os executivos destacaram que as mudanças necessárias não deixarão de ser feitas, mas com um novo "estilo". "O que muda, na prática, é a forma de condução da empresa sob o aspecto da sua gestão", afirmou o novo presidente. "Eu sou mais mineiro que o Marco." Segundo Brumer, os planos de investimentos e negócios também não serão alterados. "Não há nenhuma razão de mudar um planejamento que vem sendo feito há algum tempo", disse. "Com certeza é um novo estilo, mas sem mudança de rotas." Para 2010, a Usiminas anunciou um plano de investimentos de R$3,2 bilhões. Segundo a empresa, além da conclusão da coqueria 3, em Ipatinga (MG), estão previstos outros projetos de melhoras operacionais nas plantas de Ipatinga e de Cubatão (SP). Nos primeiros meses de 2011, serão concluídas a ampliação da Unigal e a implantação do novo laminador de tiras a quente em Cubatão.
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