SÃO PAULO - A Usiminas decidiu nesta semana paralisar a partir do próximo dia 9, por tempo indeterminado, o alto-forno nº 1 da usina de Cubatão, na baixada santista. Com isso, a companhia passará a ter três unidades de produção paradas, das cinco que opera.

Em dezembro, duas instalações da usina de Ipatinga, em Minas Gerais, foram paralisadas e entraram em processo de reforma.

" Não vemos entrada de pedidos suficientes dos consumidores nem sinais mais consistentes da demanda no segundo trimestre " , afirmou Marco Antônio Castello Branco, presidente da empresa, ao Valor. Com a nova medida, a Usiminas reduz sua capacidade total de aço bruto ao nível de 50% - até agora estava operando entre 60% e 70% -, para pouco mais de 4 milhões de toneladas ao ano. " Até fevereiro, ainda apostamos no revigoramento do mercado, principalmente pelo efeito Obma (Barack, presidente dos EUA, que tomou posse em 20 de janeiro), mas isso não aconteceu " , disse o executivo.

A Usiminas não está sozinha. A Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), outra produtora nacional de aços planos, conforme informações, também vai paralisar um alto-forno, o de nº 2, a partir do próximo dia 15 pelo período de 40 dias. A instalação responde por cerca de 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ), da ordem de 5,6 milhões de toneladas por ano.

Segundo Castello Branco, a Usiminas ainda enfrenta demanda deprimida, queima de estoques em poder dos consumidores e, para complicar a situação, a concorrência de aço importado. Ele estima que a siderúrgica fará vendas no trimestre ao redor de 1 milhão de toneladas, metade do volume normal da empresa nos últimos anos em igual período. " A situação não é nada boa " , comentou.

Em janeiro, para um consumo aparente de 612 mil toneladas de aço plano no país, que foi 46% inferior ao do mesmo mês em 2008, as importações responderam por 150 mil toneladas, informou o executivo. " Houve um crescimento de 46%, que fugiu completamente aos padrões de antes " . Ele apontou que em 2007 a média foi de 5%, em 2008, de 7,5%, e em janeiro deste ano saltou para 19%.

Por conta disso e da depressão do mercado, o setor, representado pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), esteve esta semana no Ministério da Fazenda. Conforme Castello Branco, foi uma visita para esclarecer e alertar as autoridades (grupo de gestão da crise) sobre possíveis práticas desleais de entrada de aço e chamar atenção para uso de instrumentos que possam evitar isso. " A siderurgia do país começa a ser atacada pela penetração de material de fora, principalmente da China " , afirmou.

Em 2005, o governo zerou as alíquotas de importação de uma cesta de 15 tipos de aços planos. O setor pediu o retorno do índice de 14%, mas não foi atendido.

O executivo, à frente da Usiminas desde junho, disse que por conta dos ajustes feitos com o aprofundamento da crise, em outubro, já teve de cortar 700 pessoas em Cubatão e Ipatinga (entre aposentados e aposentáveis). Com a nova medida, busca formas de amenizar decisões semelhantes com aproveitamento de funcionários em obras de expansão, já em fase adiantada, na própria usina.

" Estamos enfrentando uma queda drástica de demanda no país " , disse, observando que a perda de venda do setor, considerando as importações, chega a 55%, comparando janeiro deste ano com o mesmo mês de 2008. " O que resolvemos foi ser mais severos e cortar a produção, usar mais estoques de material semi-acabado (placas) nas usinas e apertar a gestão do capital de giro " . Os estoques são hoje o dobro do normal.

Na visão de hoje, afirmou, não vislumbra recuperação de demanda no próximo trimestre acima de 25% sobre o trimestre atual.

(Ivo Ribeiro | Valor Econômico)

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