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SÃO PAULO - A Usiminas acaba de captar US$ 200 milhões - 19,6 bilhões de ienes - na primeira transação com participação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) distribuída para investidores no Japão. O prazo de financiamento é de oito anos e o custo aproximado de Libor (taxa interbancária de Londres) em ienes mais 1,5% ao ano, informa a empresa, por meio da assessoria de imprensa.

O financiamento é destinado à nova termelétrica a ser construída em Santana do Paraíso - MG, com capacidade de até 250 MW. Com a transação, a Usiminas conseguiu um aumento em sua base de investidores além de captar por longo prazo a um custo competitivo, ainda segundo a assessoria de imprensa da empresa. O vice-presidente de finanças da Usiminas, Paulo Penido, não pôde ser encontrado, pois estava em viagem para o Japão.

Trata-se de um empréstimo A/B sob o guarda-chuva do BID, segundo explica Carlos Eduardo de Moraes Barros, o Cadu, responsável pela área de finanças estruturadas e corporativas do Banco Sumitomo Mitsui Brasileiro, que liderou a transação. O BID entrou com 2,1 bilhões de ienes (cerca de US$ 22 milhões) de crédito e três investidores institucionais mais o Sumitomo entraram com 17,5 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 178 milhões), mas sob o guarda-chuva do BID, que aparece oficialmente como credor de toda a transação.

Como o BID tem classificação de risco de crédito a mais alta possível e é credor preferencial, o primeiro a receber no caso de uma moratória, o seu guarda-chuva reduz o risco para os investidores participantes do empréstimo. Barros disse não ter autorização para revelar o nome dos investidores que participam da transação, mas destacou que hoje, no Japão, estão entre os mais atuantes os bancos, seguradoras e fundos.

Segundo Barros, há um apetite por parte dos investidores japoneses pelo crédito de empresas brasileiras de primeira linha, como é o caso da Usiminas. " Não podemos esquecer que o Brasil é bastante estratégico para o Japão, já que somos um grande fornecedor de recursos naturais para eles " , diz o executivo.

De acordo com Barros, a transação começou a ser montada ainda no primeiro semestre de 2008. " Já naquele momento todo o mercado disse que nosso preço era muito baixo, fora de mercado e tinha dúvidas de que a operação iria se viabilizar " , afirma ele. Desde então, a estratégia do banco já estava desenhada: buscar a sindicalização no Japão.

(Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico)

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