Em sua primeira entrevista à imprensa, o novo presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, deu mostras de que a empresa vai adotar a partir de agora um posicionamento mais agressivo no mercado. O executivo anunciou que o grupo vai acelerar e ampliar seu plano de investimentos - que passa dos US$ 9,9 bilhões até 2015 anunciados no ano passado para US$ 14,1 bilhões até 2012 - e também avançar em seu processo de internacionalização.

Segundo ele, a Usiminas já avalia possíveis alvos de aquisição de laminadoras nos EUA, Europa e América Central.

Apesar do impacto das declarações, Castello Branco negou que a decisão dos novos investimentos esteja ligada à pressão da Vale, acionista minoritária da Usiminas, por uma mudança na estratégia da companhia. No ano passado, o presidente da mineradora, Roger Agnelli, chegou a cobrar publicamente "mais agressividade" da Usiminas na compra de ativos e no processo de internacionalização. Em maio, a Vale anunciou que pretende vender sua participação de 5,89% no capital da siderúrgica.

Segundo Castello Branco, a revisão do plano de investimentos resulta, na verdade, da pressão de demanda do próprio mercado. "Queremos ampliar a geração de valor para nossos acionistas", justificou o diretor-presidente da Usiminas, que assumiu o comando da maior produtora de aços planos da América Latina em abril, após a saída de Rinaldo Campos Soares, que estava na função havia 17 anos. "Aceleramos nosso plano de expansão para atender à demanda industrial do País, que deve continuar crescendo, e dar base para nossa internacionalização."

Nova usina

Entre os investimentos anunciados ontem por Castello Branco está a construção de uma nova usina de placas de aço em Santana do Paraíso (MG), com capacidade de produção de 5 milhões de toneladas de aço por ano e que deve consumir US$ 5,7 bilhões. A usina, que deve entrar em operação no primeiro trimestre de 2011, substitui o projeto de expansão de 3,2 milhões de toneladas/ano programado anteriormente para a usina da empresa na cidade vizinha de Ipatinga (MG). Pelo menos 60% da produção será destinada ao mercado externo.

Os projetos de expansão incluem, além da nova usina em Minas, o aumento da produção de itens de maior valor agregado, como aços galvanizados, chapas grossas e laminados. As chapas grossas, segundo Castello Branco, têm importância especial por causa do aquecimento da demanda das indústrias naval e de gás e petróleo.

A mineração - atividade em que a empresa passou a atuar após a compra das minas da J. Mendes, no início deste ano - receberá investimentos de US$ 3,5 bilhões, que incluem o valor da aquisição (US$ 925 milhões), o plano de expansão da capacidade produtiva e a construção de uma unidade de beneficiamento do minério de ferro (pelotizadora).

Na nova usina de Santana do Paraíso será construída ainda uma termelétrica com capacidade de geração de 250 megawatts (MW), a um custo de US$ 395 milhões. "A termelétrica vai dar autonomia às operações da companhia na região", informou Castello Branco.

Além disso, a proximidade com a usina da companhia em Ipatinga, a apenas sete quilômetros do local, vai permitir a sinergia logística, de infra-estrutura e de distribuição, afirmou. A nova usina será construída onde hoje se localiza o aeroporto da empresa, e um novo aeroporto será erguido para atender às duas unidades.

Do total de investimentos de US$ 14,1 bilhões previsto pela empresa, metade virá do caixa da empresa e o restante será financiado com bancos de fomento, bancos comerciais e no mercado de capitais (emissão de eurobonds).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.