RIO - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, revelou que o Uruguai tem interesse em construir uma usina termelétrica a carvão no território brasileiro. De acordo com Lobão, o projeto prevê uma usina com capacidade de gerar 350 MW ficaria no Rio Grande do Sul, próximo à mina de Candiota.

Segundo o ministro, o projeto, apesar de incomum, não traz riscos de aumento da poluição no território brasileiro. Para Lobão, o transporte do carvão acaba sendo mais poluente que a produção de energia a partir dessa matéria-prima, uma vez que as tecnologias modernas reduzem significativamente as emissões de poluentes.

A contrapartida (para o Brasil) é a amizade e a energia pode ser usada no nosso sistema, caso o Uruguai não precise dela, ressaltou Lobão.

O ministro de Energia do Uruguai, Daniel Martinez, ressaltou que o país também pretende contribuir na construção de linha de transmissão de aumentar o intercâmbio entre os dois países em 500 MW, com possibilidade de expansão para mais 500 MW.

A linha de transmissão é um objetivo nosso, mesmo que a construção da termelétrica no Brasil não prospere, disse Martinez, explicando que o objetivo é que a térmica seja construída apenas com capital uruguaio, privado ou estatal.

O ministro uruguaio afirmou ainda que o país e a Argentina já conversam sobre uma possível unidade de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) no país. Segundo Martinez, os custos e a produção da planta seriam repartidos meio a meio entre os dois países.

Vamos fazer um estudo de viabilidade, mas a idéia é interessante, já que temos gasodutos para distribuir até 18 milhões de metros cúbicos por dia e usamos apenas 400 mil metros cúbicos, disse Martinez.

Lobão confirmou ainda o interesse brasileiro em construir hidrelétricas em território peruano, para importação da energia gerada. Segundo ele, são 15 possíveis usinas, com capacidade combinada de 20 mil MW.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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