Tamanho do texto

Pegando carona no prestígio de bairros nobres, o mercado imobiliário batizou de Nova Perdizes e Nova Pacaembu parte dos vizinhos Água Branca, Barra Funda, Pompeia e Santa Cecília. Com o fim da crise econômica, essa região da zona oeste voltou a ser alvo de lançamentos - há pelo menos 20 prédios em projeto ou construção -, mas os moradores continuam convivendo com velhos transtornos, como o trânsito caótico e alagamentos constantes.

As torres valorizam os bairros e incrementam a oferta de serviços e lazer. "Há situações bem claras em que ocorre um empréstimo da valorização de um bairro vizinho, mais nobre. Esse é o caso de Perdizes, que cresceu em função de Higienópolis e Pacaembu", explica Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio.

Ao mesmo tempo, porém, as construções levam mais pessoas e carros para o local, o que contribui para saturar os sistemas de transporte e de drenagem, já no limite da capacidade. Na "Nova Perdizes", os dois maiores lançamentos terão quase 2 mil vagas de garagem, o que aumentará o fluxo de veículos em uma das avenidas mais congestionadas da capital, a Francisco Matarazzo. Em horários de pico, chega-se a levar 40 minutos para atravessar os 2,5 quilômetros da via, que liga o Minhocão à Lapa.

O maior lançamento da área, o Condomínio Casa das Caldeiras, fica no ponto mais crítico, a esquina com o Viaduto Pompeia, que concentra o fluxo de carros e de água nos dias de chuva. Em um raio de 500 metros dali, há dois shoppings (Bourbon e West Plaza), um estádio de futebol (Parque Antártica), um clube (Sesc), um supermercado (Sonda), uma concessionária de automóveis (Toyota) e um posto de gasolina.

A Helbor, responsável pela obra, afirma que o projeto vai "transformar" a região. Segundo a incorporadora, o condomínio terá acesso por duas ruas laterais - embaixo do viaduto e na extensão da Avenida Auro Soares de Moura Andrade -, construídas em terreno cedido pela empresa à Prefeitura. Com relação às enchentes, afirma que todos os estudos e medidas foram tomadas para evitá-las. "Esse é um projeto grandioso, que transforma o local", diz Marcelo Bonanata, diretor de Vendas da Helbor. "Pessoas que não conseguem pagar por Perdizes e querem morar num lugar melhor acabam sendo atraídas."
Moradores, porém, dizem que os empreendimento são erguidos sem que haja investimento em infraestrutura, para dar conta do aumento populacional. Há, até mesmo, verba para isso, mas a Prefeitura tem tocado as obras a passos lentos. "Estamos sofrendo reflexos dessas megaconstruções e convivendo cada vez mais com problemas de congestionamento e alagamentos", afirma o presidente da Associação Amigos de Bairro da Barra Funda, Edvaldo Godoy. Ele ressalta que, além dos moradores, aqueles que precisam usar os serviços dos bairros ou passar por suas ruas também são afetados.

Outra via prejudicada é a Marquês de São Vicente, que cruza o "bairro" e faz parte de um dos mais movimentados corredores da cidade. "Ela vai deixar de ser uma opção à Marginal do Tietê", diz Godoy. "As pessoas, quando compram um apartamento, veem aquele pacote bonito, mas vão ter de enfrentar esses transtornos."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.