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Unica: crise pode acelerar consolidação no setor sucroalcooleiro

São Paulo, 14 - O presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), Marcos Jank, afirmou hoje que a crise econômica iniciada nos Estados Unidos leva um problema de crédito às sucroalcooleiras, assim como para as empresas dos demais setores da economia. Ele considera, no entanto, que os fundamentos do setor continuam positivos, sem influência da crise na demanda por etanol, açúcar e eletricidade.

Agência Estado |

Com os problemas concentrados apenas no crédito, o executivo acredita que a crise pode provocar uma nova onda de fusões e aquisições no setor.

"A crise pode acelerar o processo de consolidação, principalmente se a crise for muito profunda e gerar uma necessidade de buscar outra forma de agrupamento para as empresas se capitalizarem. O difícil é saber em que velocidade isso vai acontecer", disse. Segundo a Unica, o setor sucroalcooleiro tem, hoje, 200 grupos econômicos ativos, e a tendência é de que haja uma redução nesse número de empresas.

Apesar de admitir problemas de capitalização, Jank disse que ainda não há projetos de investimento sendo adiados. Ele citou apenas o atraso de novas unidades que estavam previstas para entrar em operação ainda em 2008. Das 32 que deveriam iniciar suas atividades este ano, 29 começaram a operar, segundo ele. No passado, no entanto, algumas previsões chegaram a apontar que 80 novas usinas, aproximadamente, começariam a operar em 2008. Mas o motivo do atraso é anterior à crise, como atraso na entrega de equipamentos.

Investimentos - O setor sucroalcooleiro planeja investir US$ 33 bilhões até 2012 - mas parte desses aportes já foi realizado nos últimos três anos. "Ainda é cedo para fazer uma análise sobre o que vai acontecer com esses investimentos", afirmou.

Quanto à dificuldade de crédito para exportação, vivenciada por algumas empresas no auge da crise financeira, Jank afirmou que o problema está sendo resolvido rapidamente. "As medidas tomadas recentemente pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda foram muito importantes para, pouco a pouco, trazer recursos para consolidar as exportações", disse.

No entanto, Jank afirmou que as vendas externas de etanol não ultrapassarão 5 bilhões de litros em 2008, como havia sido previsto pela Unica inicialmente. As novas previsões prevêem exportações de 4,2 bilhões de litros nesta safra. "É um número pequeno para uma safra que deve atingir 25 bilhões de litros."

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