São Paulo, 14 - A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) está cobrando do governo federal uma posição mais clara, de médio e longo prazo, sobre a matriz energética brasileira. Durante palestra no 9º Encontro de Negócios de Energia, promovido hoje pelo Centro das Indústrias do estado de São Paulo (Ciesp), na capital paulista, o presidente da maior entidade representativa do setor, Marcos Jank, citou acontecimentos recentes no setor de energia no País, como a descoberta das reservas de petróleo na área pré-sal, como possíveis influências na visão do governo sobre a política energética brasileira.

"Não sabemos o que vai acontecer com o nosso setor daqui a cinco ou dez anos. Pode ser que o pré-sal gere uma oferta adicional de petróleo tão grande que reduza a demanda por etanol. Pode ser que energia elétrica seja gerada a partir de carvão", afirmou.

Jank comentou que, depois da crise de energia em 2002, houve avanços no planejamento energético. "Mas isso não basta", acrescentou. "Vamos cobrar uma posição do Governo em relação à política energética, levando em conta as suas externalidades", disse, citando a criação de empregos, renda, incentivos à indústria de equipamentos e benefícios ambientais como influências positivas da atividade do setor sucroalcooleiro para a sociedade de uma forma geral.

"Pode ser que o pré-sal torne o preço do etanol inviável comercialmente. Mas é preciso levar em conta os benefícios dos combustíveis limpos ao meio ambiente", disse.

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