São Paulo, 8 - A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) aumentou sua estimativa de moagem de cana-de-açúcar na safra do Centro-Sul 2009/10 para 538,2 milhões de toneladas, apesar do excesso de chuvas que vem atrapalhando a colheita na região. Segundo Antonio Pádua Rodrigues, diretor técnico da entidade, a elevação da expectativa do volume processado deve-se ao fato de que a safra será estendida até fevereiro.

"As chuvas fizeram com que as usinas deixassem de moer 18,3 dias a menos que na safra anterior, o que significa deixar de moer um volume de cana entre 40 e 50 milhões de toneladas", disse. Para compensar isso, Rodrigues afirma que até 55 usinas devem continuar moendo até fevereiro. "São principalmente usinas que estão precisando de caixa e com dificuldade em conseguir crédito junto aos bancos", informa. A estimativa é de que em março de 2010 140 usinas já estejam em operação, um número muito superior às 50 usinas que operavam no mesmo período da safra anterior.

A estimativa anterior da Unica era de que o Centro-Sul iria moer 529,53 milhões de toneladas de cana. A nova estimativa supera o estimado pela Datagro Consultoria, que prevê uma colheita entre 523,5 milhões e 533,5 milhões de toneladas. A AgraFNP divulgou ontem também estimativa de apenas 525 milhões de toneladas.

Segundo a Unica, a produção de açúcar do Centro-Sul para a safra 2009/10 deve ficar em 29,034 milhões de toneladas, 8,5% superior ao registrado na safra anterior. A produção de etanol deve cair 6,9%, para 23,37 bilhões de litros. A Datagro prevê uma produção de açúcar entre 28,6 a 29,09 milhões de toneladas e uma produção de etanol entre 23,01 e 23,48 bilhões de litros.

Os dados da Unica também apontam que as exportações de açúcar devem encerrar a safra 2009/10 em 22,19 milhões de toneladas, alta de 25,4% em relação a safra anterior. O principal destino do açúcar brasileiro na safra 2009/10 (até outubro) foi a Índia, com 2,91 milhões de toneladas, um crescimento de quase 9.000% em relação à safra anterior. Depois da índia, a Rússia ocupa o segundo lugar, com importação de 1,78 milhão de toneladas. E os Emirados Árabes o terceiro lugar, com 1,42 milhão de t. Já as exportações de etanol devem ficar em 2,8 bilhões de litros, queda de 34,1%.

Pádua explica que apesar de as exportações de açúcar atingirem 4,5 milhões de toneladas no período, a produção irá crescer apenas 2,3 milhões de t. "Grande parte do crescimento das exportações veio de estoques disponíveis antes da safra", afirma.

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