SÃO PAULO - O Unibanco acaba de anunciar que dobrou seu programa de recompra de ações, de 20 milhões de units para 40 milhões de units. Considerando a cotação dos papéis perto das 16h30, a R$ 9,83 (-14,52%), este programa representa cerca de R$ 393 milhões.

Segundo o vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia, esta é uma sinalização ao mercado de que as ações da instituição são "um excelente investimento".

Em teleconferência com a imprensa, o Unibanco confirmou a informação publicada pelo Valor Online, de que antecipou a divulgação do seu balanço do terceiro trimestre para poder dar continuidade ao programa de recompra de ações em um momento de queda acentuada dos papéis.

A Instrução 358 da CVM proíbe que acionistas controladores, diretores, membros do conselho de administração, do conselho fiscal e de quaisquer órgãos com funções técnicas ou consultivas comprem ações das próprias empresas em um período de 15 dias antes da divulgação das informações trimestrais. Assim, para efetuar essa operação, o Unibanco teria de esperar até a data de anúncio do balanço trimestral, em 6 de novembro.

Além de poder retomar a recompra das ações, o Unibanco também ressaltou que agora pôde voltar a conversar com jornalistas e analistas sobre seus números.

Ao ser questionado sobre por que as ações da instituição continuavam a cair mais que as de seus pares, mesmo com a divulgação do resultado para o mercado, Travaglia respondeu: "Eu não sei. A gente procura passar informações corretas, para que não pairem dúvidas em relação aos números do banco."
Além disso, o executivo ressaltou que a formação de preço das ações do Unibanco ocorre principalmente por meio da negociação com os ADRs em Nova York, onde ocorrem 70% dos negócios, e não na Bovespa. Desta forma, segundo ele, a cotação das ações estaria mais exposta ao humor do investidor estrangeiro, que precisa fazer caixa.

No comunicado em que divulgou seus resultados financeiros trimestrais antecipadamente, o Unibanco revelou que a marcação a mercado da posição de empresas clientes em contratos derivativos de câmbio era de R$ 1 bilhão em 23 de outubro. Isso significa que se esses contratos vencessem nessa data, o banco teria esse montante a receber. O banco ressaltou, no entanto, que não fica exposto a risco cambial nesse tipo de transação e que sempre que faz uma transação com o cliente, zera o risco com a posição contrária na BM & F.

Sobre o risco de crédito em relação a essa posição, a instituição ressalta que este volume de R$ 1 bilhão está dividido entre 33 clientes, o que dá uma média de US$ 30 milhões por contrato. Travaglia destacou ainda que são todas empresas exportadoras e de grande porte, com faturamento acima de R$ 500 milhões.

(Fernando Torres | Valor Online)

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