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SÃO PAULO - Com o crescimento da carteira de crédito sendo puxado por linhas de spread menor, como financiamento de veículos e grandes empresas, o Unibanco busca agora a fórmula ideal para sustentar uma boa margem financeira, baseada na expansão dos empréstimos e no controle dos níveis de inadimplência.

A combinação entre Selic média mais baixa e uma carteira com produtos de menor taxa de retorno vem derrubando a chamada margem financeira dos bancos, que na prática mede a receita gerada pelas operações de crédito e tesouraria em relação aos ativos dessas instituições. No caso do Unibanco, a margem financeira fechou o primeiro semestre em 6%, o que representa uma queda de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2007, quando ficou em 7,1%.

Na avaliação do vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia, as margens registradas pelos bancos no começo do ano passado não voltam mais. Com cenário de juro mais baixo, apesar das últimas elevações feitas pelo Banco Central, as instituições terão que se acomodar em uma margem financeira mais enxuta, segundo ele.

Para atingir a melhor margem possível, os bancos precisarão de uma estratégia muito bem desenhada. O desafio é encontrar o ponto de até onde cresce o volume (de crédito) para compensar a taxa (de juros menor) sem comprometer o risco (de inadimplência), explicou o executivo.

Ao final do primeiro semestre deste ano, o Unibanco tinha um saldo de R$ 69 bilhões na carteira de crédito, uma alta de 33,6% sobre o mesmo período do exercício anterior. Desse total, mais de R$ 43 bilhões estavam em linhas de spread menor, como créditos a grandes empresas, consignado e imobiliário, além do financiamento de veículos.

Já o índice de inadimplência, medido pelos créditos vencidos há mais de 60 dias, caiu de 4,5% para 4% do total da carteira no mesmo intervalo de comparação, de acordo com o Unibanco.

(Murillo Camarotto | Valor Online)