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União volta a ser devedora em dólar

Com o agravamento da crise internacional, o governo federal voltou a ser devedor em dólar no estoque da dívida interna em títulos públicos, o que não ocorria desde dezembro de 2005. Segundo dados do Tesouro Nacional, a dívida em dólar alcançou em outubro R$ 16,15 bilhões, o equivalente a 1,32% do total de R$ 1,22 trilhão da dívida interna no mês passado.

Agência Estado |

Até setembro, o governo tinha uma posição credora em dólar de R$ 28,81 bilhões. Em apenas um mês, a virada foi de R$ 44,9 bilhões.

Essa reversão foi provocada pelas intervenções do Banco Central (BC) no mercado futuro de câmbio, com operações de swap cambial, para tentar segurar a forte desvalorização do real. Nas operações de swap cambial, o BC assume uma dívida em dólar e fica credor em taxa Selic. Além disso, a própria queda do real aumentou estoque da dívida cambial.

A alta do dólar também trouxe efeitos negativos para a dívida pública externa, que aumentou R$ 8,7 bilhões em setembro, atingindo R$ 119,1 bilhões. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Guilherme Pedras, minimizou o fato. Ele destacou que, com o volume elevado das reservas internacionais, o Brasil continua numa posição confortável e credora em dólar, quando se leva em conta o estoque da dívida líquida total do setor público - que contabiliza todos os ativos e passivos da União, Estados, municípios e estatais.

Pedras comentou que a dívida líquida do setor público está caindo com a desvalorização do real justamente porque o País é credor em dólares. "A dívida líquida do setor público está caindo com o superávit primário e a valorização do dólar frente ao real", disse.

Em janeiro de 2006, quando o País deixou de ser devedor em dólar, o fato foi comemorado pelo governo. Na crise de 2002, a dívida interna deu um salto justamente porque a dívida cambial respondia por 40,67% do endividamento. Nos anos seguintes,o governo substituiu o passivo vinculado ao câmbio por papéis prefixados por índices de preços. Sem isso, a dívida interna teria disparado com a desvalorização do real.

No passado, essa situação exigiu forte ampliação do superávit primário das contas públicas para compensar o endividamento. O efeito colateral foi reforçar a desaceleração da economia, o que o governo quer agora evitar.

O Tesouro informou ontem que, em outubro, o pior mês da crise, teve novamente que reduzir a oferta de papéis e o prazo de vencimento dos títulos vendidos no mercado. A demanda dos investidores ficou ainda mais retraída diante do agravamento da crise e do aumento da aversão ao risco.

Além disso, os investidores estrangeiros começaram a se desfazer dos papéis brasileiros para cobrir perdas lá fora. Esse quadro forçou o Tesouro a resgatar R$ 12,9 bilhões a mais títulos do que o volume ofertado de novos papéis. Mesmo com a volatilidade elevada, Pedras diz que o Tesouro deve cumprir as metas do Plano Anual de Financiamento (PAF) este ano.

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