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União de Itaú e Unibanco inflará volume de fusões e aquisições do ano

SÃO PAULO - A operação de fusão dos bancos Itaú e Unibanco, calculada em R$ 106,9 bilhões, garantirá neste ano um aumento significativo em relação ao total de fusões e aquisições fechadas em 2008, que somaram R$ 100,4 bilhões, com 94 transações. A Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid), responsável pelo levantamento, avalia, entretanto, que se for expurgada esta grande operação dos dois bancos, as transações fechadas neste ano ficarão abaixo do observado no ano passado, tanto em volume financeiro como em número de operações.

Valor Online |

O resultado de 2008 já foi 14,8% inferior ao montante de 2007, de R$ 117,8 bilhões. Em número de operações, a baixa foi 24,8% em relação a 2007, quando foram fechadas 125 operações considerando fusões, aquisições, reestruturações societárias e ofertas públicas de aquisição. Parte desta queda pode ser atribuída à inversão do cenário econômico internacional, que não apenas ruiu a confiança dos investidores, como também reduziu drasticamente a liquidez e os financiamentos.

Segundo Carolina Lacerda, coordenadora da Subcomissão de Fusões e Aquisições da Anbid, das operações engatilhadas no ano passado, cerca de 20% não foram concluídas por causa do agravamento da crise vigente. Ela avalia, entretanto, que "foi um ano bom", sobretudo se for considerado um ranking global em que apenas América Latina e China tiveram crescimento dessas atividades, de 20% e 30%, respectivamente.

É esse mesmo cenário de crise, previsto para perdurar ao longo de 2009, que deve impedir expansão significativa das operações de fusões e aquisições neste ano. "Há ainda grandes incertezas, redução de volume de recursos, aversão a risco, pessimismo e dificuldade de financiamento", diz a executiva, ressaltando que ainda assim a redução de operações no Brasil será mais branda do que no resto do mundo.

Vale notar, entretanto, que além da operação entre Itaú e Unibanco, outras quatro grandes transações anunciadas no ano passado devem se concretizar apenas neste ano. É o caso da aquisição da Brasil Telecom pela Oi, de R$ 5,9 bilhões; a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, de R$ 5,4 bilhões; aquisição da unidade de caminhões e ônibus da Volkswagen no Brasil pela MAN AG e a aquisição de parcela da Aracruz pela VCP, de R$ 2,9 bilhões. Somadas com a fusão dos bancos citados, estão em carteira neste começo de ano para serem fechadas transações de R$ 133,5 bilhões.

Em suas considerações prospectivas, Carolina acredita que, com a falta de liquidez e de capitalização no mercado internacional, certamente haverá mais negociações de compra e fusão entre empresas brasileiras, mas também bastante interesse de estrangeiros em ativos brasileiros, sobretudo por parte de empresas e fundos de private equity.

Dentre as oportunidades criadas pela turbulência internacional, a executiva menciona que o setor financeiro, incluindo bancos, seguradoras e corretoras, tende a dar continuidade ao processo de consolidação. Segundo ela, a necessidade de ganho de escala e de desalavancagem devem reforçar essa previsão, assim como a dificuldade global de crédito.

Construção civil , agronegócios e varejo também são setores que podem se destacar nos processos de fusões e aquisições.

No setor imobiliário, a consolidação deve ser puxada por conta da queda de demanda, gerada pela desaceleração econômica prevista. No caso dos agronegócios, a baixa de preços das commodities e a falta de linhas de crédito dedicada também devem forçar tais movimentos.

Para o varejo, a abertura para transações do tipo derivaria também da crise, por meio de aumento de desemprego e queda da massa salarial, que inevitavelmente bate no consumo de bens duráveis e não duráveis. Nesse setor, Carolina acredita que os investidores de private equity terão especial interesse.

Com tanto aperto externo, a Anbid acredita que haverá espaço para modelos diferenciados de financiamentos de fusões e aquisições. A criatividade nesse âmbito deve incluir desde pagamentos a prazo, como o caso da compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, como uso maior de caixa próprio e da troca de ações. Pode ficar mais comum também as fusões entre empresas abertas e fechadas, a fim de contornar as despesas e riscos com abertura de capital. Enfim, tudo para driblar o problema de crédito escasso e caro.

Mudanças nessas previsões estão previstas apenas se a liquidez retornar e o mercado voltar a se abrir, o que pode vir a ocorrer gradualmente a partir do segundo semestre, segundo Carolina.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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