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Uma palavra pode valer mais que mil slides

Em um evento com cerca de 200 pessoas, o vice-presidente de marketing da Vivo, Hugo Janeba, precisava fazer uma apresentação. O texto era bastante longo e o executivo temia esquecê-lo lá pela metade da palestra.

Agência Estado |

Para evitar o problema, arranjou um teleprompter (monitor para exibir o texto) e o usou na apresentação.

"Foi a primeira vez que usei aquilo, e foi péssimo. Perdi o ritmo, não ficou nada natural", lembra. Hoje, muitas apresentações depois, ele afirma que se preparar e treinar é o básico de qualquer apresentação. "Saber passar uma idéia é crucial na carreira de um executivo. Afinal, se você passa uma idéia errada, prejudica sua empresa - e por conseqüência, seu desempenho." Ele conta que recentemente, conseguiu fechar um negócio mostrando um slide só e poucas palavras. "Ninguém precisa de um monte de power point, basta fazer a platéia acompanhar o raciocínio."

Todo executivo já foi vítima de apresentações longas, com dezenas de slides e com um apresentador que lia o que estava escrito na tela. Ou já se defrontou com gráficos incompreensíveis com números minúsculos.

"Certa vez, assisti uma apresentação em que o representante de uma empresa queria mostrar 400 slides. Depois que todos os presentes já tinham ido ao banheiro e tomado água, nos rebelamos e pedimos para terminar a apresentação", conta o presidente da Serasa, Francisco Valim. Segundo ele, apresentar projetos e idéias são um processo crítico para as corporações. "Sempre que você está apresentando, está exibindo a sua forma de pensar, ou a forma de pensar da sua empresa. Se não fizer algo bom, o resultado pode ser desastroso."

Janeba, da Vivo, concorda. "Quantas vezes você já não deixou de levar alguém a sério porque a pessoa cometeu um erro de português no meio de uma apresentação? É algo banal, mas pode acabar com a credibilidade de um executivo."

O tema tornou-se tão preocupante que surgiram empresas especializadas em apresentações corporativas. Uma delas, a Soap, contabiliza cerca de 3,5 mil apresentações nos últimos cinco anos e prevê um crescimento de 50% em faturamento este ano. "Não adianta o executivo preparar um projeto durante um ano, se nos 10 minutos de apresentação estraga tudo", diz um dos sócios da Soap, João Galvão - os outros são Francisco Papaterra e Eduardo Adas. "O trabalho da Soap é criar apresentações em power point com animações e gráficos elaborados. Mas tudo com sentido, de acordo com a necessidade do cliente."

Segundo Galvão, outro erro comum nas apresentações é colocar planilhas inteiras, ou textos enormes. "Se é possível ler toda a apresentação nos slides, o apresentador é desnecessário. Afinal, as platéias costumam ser alfabetizadas", brinca. Ele afirma que já fez até apresentações sem nada escrito, após treinar os apresentadores. "O power point é uma ferramenta ótima, o problema é achar que basta jogar tudo ali e mostrar. É exatamente o contrário."

"As pessoas acham que é necessário entrar em detalhes, e a apresentação vira um estorvo", diz o diretor de projetos especiais da Rede Record, Júlio Casares, que estima fazer cerca de 700 apresentações e palestras por ano. "O importante é você conquistar a platéia e fazê-la acompanhar seu raciocínio, para chegar à mesma conclusão."

Segundo Casares, não é qualquer executivo que consegue apresentar os projetos de sua empresa. "Alguns têm o dom, mas de maneira geral ter o ritmo e falar bem é algo que exige dedicação. Com treino, a projeção do executivo pode ser imensa", comenta.

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