A união entre a Aracruz e a Votorantim Celulose e Papel (VCP), caso seja aprovada, criará a maior produtora de celulose do mundo. Em 2012, a produção pode chegar a 8 milhões de toneladas, o que a colocará muito à frente das suas principais concorrentes no mercado internacional: a chilena Arauco e a April, de Cingapura.

Será uma empresa com um valor de quase R$ 30 bilhões (US$ 18,7 bilhões) e faturamento de US$ 3,2 bilhões. Ainda é pequena perto dos gigantes do segmento de papéis, como International Paper e Stora Enzo, que faturam cerca de US$ 20 bilhões, mas seu lucro é proporcionalmente maior. A margem pode chegar a quase 50%.

Segundo os executivos da Votorantim, a fusão pode trazer ganhos potenciais de R$ 4,5 bilhões. "É cedo para detalhar as sinergias. Mas elas existem em todas as áreas do negócio, como tecnologia, logística, vendas", explicou o diretor-geral da Votorantim Industrial, Raul Calfat.

As duas empresas têm hoje porte semelhante em termos de receita. A VCP é bem mais forte em papel, mas as vendas de celulose da Aracruz são três vezes maiores do que as da sua concorrente. É aí que está a mina de ouro. "A margem de lucro das empresas de celulose é muito maior do que das empresas de papel", explica uma fonte ligada às negociações. Enquanto a margem Ebitda da Aracruz foi de 47,1% em 2007, a da VCP foi de 32,7% no mesmo período.

No ano passado, o Grupo Votorantim deixou claro que quer focar em dois negócios: cimento e celulose. Ela vai continuar vendendo papel, mas apenas os especiais, como o térmico (aquele que sai das máquinas de cartão de débito e crédito).

A principal vantagem do Brasil no segmento de celulose em relação a outros países está no ciclo de crescimento da madeira. Enquanto o eucalipto demora cerca de sete anos para atingir a idade de corte, no hemisfério Norte o pinus leva três vezes mais tempo para ficar no ponto ideal.

Na Bovespa, os papéis da VCP reagiram bem ao anúncio. As ações ordinárias da Aracruz despencaram depois da informação de que não haverá oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações dessa classe em circulação no mercado. A desvalorização foi de 26%.

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