WASHINGTON - Em seu discurso sobre o Estado da União, o presidente Barack Obama propôs que fosse criado um pacote para ajudar a criar empregos nas indústrias americanas, incluindo a aplicação de medidas comerciais, incentivos fiscais e programas de treinamento para os trabalhadores.
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Em muitos aspectos, a proposta é surpreendente, já que vários economistas atuais consideram o setor da indústria um potente motor para o crescimento de empregos nos Estados Unidos.
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Mas o governo argumenta que algumas grandes tendências - como aumento dos salários nos países em desenvolvimento, os salários em queda nos Estados Unidos e o dólar enfraquecido - fizeram com que atrair trabalhadores para o país ou manter aqueles que já estão no mercado americano nos Estados Unidos seja uma opção muito mais viável.
E eles afirmam que as indústrias continuarão a gerar trabalhos para a população, especialmente se houver uma pequena ajuda de Washington.
"Neste momento, temos uma grande oportunidade de recuperar o setor da indústria", disse Obama em seu discurso. "Mas temos que aproveitá-la o mais rápido possível. Esta noite, a minha mensagem para os líderes do setor é bem simples: perguntem-se o que vocês podem fazer para gerar empregos novamente para o seu país e o seu país fará tudo que puder para ajudá-los a conseguir concretizar esse ideal."
A proposta decorre de uma crença de que após "as pessoas terem acreditado por um bom tempo que estavam nadando contra a corrente, estamos seguindo um fluxo melhor", disse Gene Sperling, diretor Conselho Econômico Nacional da Casa Branca. "Não se trata mais de lutar contra as tendências, mas sim de se adaptar à elas."
Os trabalhadores podem até estar ganhando um salário relativamente alto nos Estados Unidos, mas os salários estão subindo rapidamente em países como a China e o Brasil. Os preços altos da energia aumentaram os custos de frete. E fabricantes argumentam que os trabalhadores americanos frequentemente produzem bens de alta qualidade e que as fábricas americanas atendem mais aos mercados de bens mais sofisticados.
Empresas começam a voltar para EUA
Essas tendências têm feito com que algumas empresas voltem a gerar empregos no país no últimos anos. Por exemplo, a General Electric mudou o local de produção de um aquecedor de água da China para Louisville, Kentucky. A NCR, uma fabricante de quiosques e caixas eletrônicos, mudou sua fábrica para Columbus, Georgia.
Segundo os economistas, o governo pode ajudar a sustentar esta tendência. Mas eles alertaram que a proposta do governo parecia pouco capaz de melhorar significativamente o índice de empregos no país e disseram que muitas empresas irão continuar contratando trabalhadores de baixo custo no exterior.
"A melhor coisa que podemos fazer é continuar crescendo no setor das indústrias e, com isso, gerar mais empregos", disse C. Fred Bergsten, diretor do Instituto Peterson de Economia Internacional, um grupo de pesquisa em Washington.
Por Annie Lowrey
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