O pedreiro Josinaldo da Silva conta que, em São Paulo, ganha-se cerca de R$ 800 por mês pelo serviço. Mas fazendo bastante hora extra, dá pra ganhar quase R$ 2 mil.

E tem de achar tempo pra ensinar os novos, porque precisa de mais gente pra trabalhar", diz. Aos 42 anos, ele completou 22 atuando na construção civil.

No último ano, os salários na construção tiveram aumento de 10% a 30%, somando os dissídios com a inflação gerada pela escassez de mão-de-obra. O salário para pedreiro, com horas extras, equipara-se ao de professores da rede pública, que segundo decreto assinado pelo presidente Lula tem piso de R$ 950.

"Eu recomendo aos mais novos que estudem pra ser mestre-de-obras. Quem tem estudo consegue crescer na construção, tem muita vaga boa", diz Lídio dos Santos, pedreiro há 32 anos. Ele, Silva e Ademar dos Reis tentavam uma das vagas temporárias abertas por uma empresa paulista. "Conseguir uma vaga dessas é bom porque garante um ano, um ano e pouco, de serviço", diz Reis.

Ao se encaminharem para a entrevista de emprego, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos eixos empresariais de São Paulo, eles apontavam os prédios que tinham ajudado a construir. "E ainda vamos levantar muitos desses", disse Josinaldo. Os três almejam mais um período de trabalho com carteira assinada.

O recrutamento informal, como o de homens-placa que ficam em áreas de grande movimento da capital paulista, pode ser punido com multa para a empresa. "O contrato temporário sem registro é ilegal", explica o gerente de desenvolvimento organizacional da Racional Engenharia, João Paulo Soares. "O que pode ocorrer é fechar o contrato para uma obra específica, mas dentro das normas do Ministério do Trabalho."

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