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Última tentativa da OMC para salvar Rodada de Desenvolvimento de Doha

A OMC tentará esta semana conciliar os interesses de países exportadores agrícolas e de bens industriais para salvar a Rodada de Doha, em um contexto complicado pela crise alimentar mundial e sob pressão da iminente eleição presidencial nos Estados Unidos.

AFP |

Para evitar o fracasso de sete anos de negociações, os mediadores apresentaram emendas que apontam para a obtenção do melhor acordo possível, embora já não seja o acordo "ambicioso" previsto inicialmente na denominada "Rodada do Desenvolvimento", iniciada em Doha (Qatar) no final de 2001.

Essas propostas serão discutidas a partir de segunda-feira pelos ministros de 35 dos 152 países que integram a Organização Mundial do Comércio (OMC), na sede da organização às margens do lago Lemans de Genebra.

Ao convocar a reunião, no final de junho, o diretor geral da OMC, Pascal Lamy, admitiu que a aposta era arriscada, mas que a própria anemia da economia mundial a justificava.

"A conclusão de um acordo para abrir o comércio nas esferas da agricultura e dos produtos industriais trará consigo um maior crescimento e melhores perspectivas de desenvolvimento (...). Não podemos deixar que esta oportunidade escape de nossas mãos", alertou.

A Rodada de Doha surgiu como resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, com o objetivo de corrigir as desigualdades abissais que surgiram no mundo após uma década de ultraliberalismo e de impedir a exploração política dos ressentimentos do Sul.

Por isso está focalizada no Desenvolvimento, ou seja, no reconhecimento de que todos os países não podem abrir seus mercados no mesmo ritmo e de que os mais ricos devem fazer mais concessões.

Um grupo de grandes nações agrícolas emergentes (o G20), liderado por Brasil e Índia, surgiu neste processo como um novo ator de peso no sistema multilateral.

Mas as boas intenções foram ficando para trás e as tensões aumentaram entre o G20 -que exige uma redução substancial dos subsídios agrícolas de Europa e Estados Unidos- e os países industrializados, que exigem maior abertura para seus produtos no restante do mundo.

Nos últimos meses, com o aumento incontido -e insuportável para muitos povos- dos preços dos alimentos e do petróleo, a OMC enfrenta novos desafios.

"O momento (da reunião) foi bem e mal escolhido ao mesmo tempo", ressalta Sylvie Martelli, do Instituto de Pesquisas e Informações Socioeconômicas (Iris, independente, con sede em Paris).

"Mal escolhido, porque existem outras preocupações além da liberalização do comércio. Mas esta pode ser também uma solução" para se evitar a disparada atual dos preços dos alimentos, disse a especialista à AFP.

Martelly vê dois riscos: que "o Norte siga dando as costas às coisas" e que os grandes emergentes como Brasil, Índia ou China, "depois de terem tomado consciência de seu peso, sintam a tentação de evitar fazer concessões".

A UE "esgotou suas margens de manobra no plano agrícola" e quer obter "um reequilíbrio das concessões já feitas", disse na sexta-feira a secretária francesa de Comércio, Anne-Marie Idrac, ao final de uma reunião de ministros europeus dessa área em Bruxelas.

O Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) considera, no entanto, "insuficiente" o texto base proposto pela OMC.

"Nossa visão comum é de que o motor da rodada é a agricultura e que a velocidade desse motor não está totalmente definida", disse na segunda-feira passada após uma reunião do bloco no Rio de Janeiro o chanceler brasileiro Celso Amorim.

No sábado, já em Genebra, Amorim considerou que o G-20 não aceitará um acordo em nome da urgência. "Se esperarmos, obteremos um acordo melhor que este", disse o ministro brasileiro.

Por outro lado, a eleição norte-americana de novembro deixa dúvidas sobre a capacidade do presidente George W. Bush de negociar acordos importantes como o da OMC, embora "se for alcançado um acordo que satisfaça a todos, será difícil para o próximo presidente voltar atrás", considera Martelly.

Adlém disso, o acordo poderá "oferecer um argumento para aqueles que apresentam o desenvolvimento como uma alternativa à guerra" contra o terrorismo travada pelos Estados Unidos desde 2001, acrescenta.

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