Os ministros de Finanças da União Europeia (UE) concordaram nesta terça-feira em começar a reduzir os déficits públicos a partir de 2011, sempre e quando se confirmar a recuperação após a crise que levou a maioria dos governos a se endividar com milionários planos de resgate.

Durante uma reunião em Luxemburgo, os ministros voltaram a se dividir em relação ao financiamento a países pobres vítimas do impacto da mudança climática, a menos de dois meses da conferência de Copenhague para dar à luz um acordo que substitua o Protocolo de Kioto.

Em contrapartida, houve um compromisso para fixar uma data inicial para a redução dos déficits: "O saneamento das finanças públicas no conjunto dos Estados membros (da UE) deve começar o mais tardar em 2011", indicaram em um documento os ministros europeus.

Alguns países, como Espanha, viram como suas dívidas explodiam em apenas meses, devido à queda dos ingressos fiscais e aos planos de estímulo econômico, acompanhados de um aumento do gasto social.

O governo espanhol prevê um déficit das contas públicas de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, ou seja, muito acima dos limites permitidos pelo Pacto de Estabilidade europeu (3%).

Mas o rombo econômico pode aumentar ainda mais no próximo ano, a julgar pelas previsões do FMI, que projeta um déficit de 12,5% para a Espanha,

Dos 27 países da UE, 20 foram advertidos por superarem o limite anual de 3% estabelecido pela Comissão Europeia, que em novembro decidirá que atitude tomar a respeito.

A França, por exemplo, também prevê um déficit astronômico de 8,2% do PIB este ano e de 8,5% em 2010.

Paralelamente, os ministros não consideram fechar acordo sobre como a UE contribuirá para financiar o impacto da mudança climática nos países pobres para o que, segundo a Comissão Europeia, serão necessários 100 bilhões de euros anuais até 2020.

Esta questão, que está se impondo nas negociações internacionais antes da conferência de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, será abordada finalmente entre os europeus durante a cúpula de chefes de Estado e de governo prevista para 29 e 30 de outubro em Bruxelas.

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