Os países da União Européia querem que o comissário de comércio do bloco, Peter Mandelson, melhore os termos da proposta de acordo em discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC). A informação foi dada pela ministra do Comércio da França, Anne-Marie Idrac.

O pacote apresentado pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, propõe entre outras decisões um teto de US$ 14,5 bilhões por ano para os subsídios agrícolas dos Estados Unidos.

Um otimismo cauteloso rondava as discussões hoje, mas fontes internas às negociações disseram que a oposição da Índia e de mais alguns países pode esfriar as esperanças de rompimento do impasse. Depois de se reunir com os ministros da União Européia pela manhã, Idrac afirmou que o grupo pediu a Mandelson que "melhore o acordo". O comissário, porém, insistiu que tem apoio para levar adiante a proposta. Ele informou que uma nova reunião ministerial acontecerá amanhã, com apoio da União Européia, "para trabalhar sobre este acordo em formação como base de um pacote de proposições", que deve liberar uma fase final do acordo de Doha. "Neste estágio, buscamos melhorar o pacote, não desfazê-lo", afirmou.

Os ministros dos 35 países que participam das discussões encaminharam-se para reuniões tentando acertar suas diferenças, sob crescente pressão da Índia e da Argentina, que sinalizaram oposição ao acordo. "A sessão da tarde de hoje será importante", disse uma fonte diplomática à agência France Presse. "A Índia vai observar o que pode sair da sessão para decidir se abandona as discussões", revelou a fonte. Numa carta enviada hoje a Lamy, a Argentina disse temer que "sem mudanças (na proposta de acordo) seja impossível chegar a um resultado positivo". Lamy havia declarado anteriormente que ainda estavam pendentes alguns temas sensíveis, como os subsídios para o algodão nos países ricos.

As atenções hoje se voltaram, entretanto, para o setor de serviços, o terceiro componente de um acordo final, juntamente com a agricultura e a indústria. Após as conversas de ontem, os negociadores saíram com avaliações otimistas sobre as possibilidades de sucesso, mas alertaram que havia o risco de alguns países desvirtuarem o processo.

Insatisfação

A África do Sul também declarou que não aprovaria o acordo na forma atual e o ministro da Agricultura do Japão manifestou grande insatisfação. O ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, tem insistido que protegerá a indústria nascente e os milhões de agricultores de subsistência do seu país, que são amparados por tarifas sobre as importações. "Não estamos muito felizes com o pacote, basicamente nas questões agrícolas", disse hoje o embaixador da Índia na OMC, Ujal Singh Bhatia.

O porta-voz de Lamy, Keith Rockwell, afirmou que a reunião da OMC terminará quando for "concluído o trabalho", refletindo a incerteza generalizada. As informações são da Dow Jones.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.