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UE investiga medidas protecionistas francesas

A Europa se afunda em brigas internas e sofre para dar uma resposta à crise. Ontem, a União Europeia (UE) não conseguiu chegar a um acordo sobre como lidar com os títulos podres dos bancos e anunciou que vai investigar suspeitas de protecionismo no pacote da França para as montadoras.

Agência Estado |

Na segunda-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou que daria 6,5 bilhões às montadoras, com a condição de que criassem empregos na França e não investissem em outros países.

Os governos do bloco demonstraram o mal-estar e chegaram a ameaçar com retaliações a empresas francesas. A Comissão Europeia, braço executivo do bloco, também se mostrou desconfiada com o plano de Sarkozy. "Há certas preocupações", afirmou o porta-voz da Comissão, Jonathan Todd. Para ele, as exigências de Sarkozy podem ser "ilegais".

Se as irregularidades forem comprovadas, Todd garante que a UE não vai "tolerar" o pacote. A Federação de Indústrias da Alemanha acusou Paris de dar subsídios e "distorcer o mercado". O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, foi além. Garantiu que, se o protecionismo francês continuar, vai enviar a empresa GDF Suez "de volta para casa" e se queixar ao tribunais da UE.

O ministro de Finanças da República Checa, Miroslav Kalousek, disse que "o maior risco hoje para a UE é o protecionismo". Ele convocou uma cúpula para o fim do mês para dar um "não" ao protecionismo.

O ministro francês para o Relançamento da Economia, Patrick Devedjian, rejeitou as críticas. "Foi a França que inventou o carro. Portanto, temos a legitimidade de organizar nosso setor." Para ministro de Finanças no Reino Unido, Aliston Darling, governos podem apoiar suas indústrias, "mas é importante que não adotemos medidas protecionistas."

O racha da Europa também ficou claro em relação à estratégia de salvar os bancos. Enquanto nos Estados Unidos o governo anunciava um pacote de mais de US$ 1 trilhão para o setor financeiro, a Europa não consegue chegar a um acordo. Ontem, os 27 ministros de Finanças do bloco conseguiram apenas concluir que precisam agir de forma coordenada. Mas ninguém sabe como ainda.

Os ministros concordaram em trabalhar juntos para resolver o problema dos títulos podres dos bancos da região. Mas admitem que não haverá uma resposta comum, já que a situação é diferente em cada país.

Os governos pediram que a Comissão Europeia agora formule propostas nas próximas duas semanas, mas já concordaram que cada governo poderá criar seu banco para ficar com esses papéis, também chamados de "tóxicos" .

A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, ironizou ao ser perguntada se a UE tinha posição sobre o assunto. "Eu acho que fiquei doente nessa parte da reunião." Para o britânico Alistair Darling, a opção de criar bancos para os títulos podres continua aberta.

A briga na UE se aprofundou ontem com as acusações dos checos ao núcleo duro da UE por violar as regras do bloco para defender sua indústria. "A resposta dos países à crise deformou o projeto comum do euro", afirmou o primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek. Segundo ele, os países que usam o euro estão ignorando as regras para proteger suas indústrias. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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