Bruxelas, 13 fev (EFE).- A deterioração da economia europeia se intensificou nos três últimos meses de 2008, o que colocou o conjunto da União Europeia (UE) em recessão técnica e agravou a atravessada pela zona do euro.

Segundo os primeiros cálculos do escritório de estatística do bloco, tanto o PIB da zona do euro como o da UE caíram 1,5% no último trimestre do ano, muito acima da queda de 0,2% registrado no trimestre prévio.

Desta maneira, a área da moeda única acumula três trimestres seguidos com reduções da atividade (0,2%, 0,2% e 1,5%) e se confirma a entrada em recessão da economia dos 27 países do bloco, após a atividade cair por dois trimestres consecutivos.

O temido cenário da recessão já é uma realidade para muitos dos Estados-membros e, sobretudo, para as maiores economias da UE.

Destaque para a forte deterioração da primeira economia do bloco, Alemanha, que nos três últimos meses do exercício caiu 2,1%, a baixa mais brusca desde a reunificação em 1990, e muito superior à queda do 0,5% dos dois trimestres anteriores.

A Espanha, após sofrer uma contração de 1% entre outubro e dezembro (0,3% de julho a setembro), caiu em recessão em 2008, com o que colocou fim a 15 anos seguidos de expansão.

Por sua vez, o PIB italiano caiu no último trimestre 1,8% (depois da queda de 0,6% dos dois períodos anteriores) e também piorou a situação no Reino Unido, com um retrocesso de 1,5% (frente à baixa prévia de 0,6%).

A França, onde o PIB caiu 1,2% de outubro a dezembro, é a única grande economia que até agora escapou da recessão, mas o Governo já dá por certo que a contração vai continuar, por isso que entrará nessa classificação este mesmo trimestre.

Holanda e Portugal são outros dos países-membros que já levam mais de um semestre vendo a atividade cair.

Apesar da brusca freada vivida em 2008, no conjunto do ano a economia europeia alcançou taxas modestas de crescimento.

Assim, o PIB dos países da moeda única aumentou 0,7% e o da UE subiu 0,9%, em ambos os casos muito abaixo dos números registradas no ano anterior, de 2,6% e 2,9%, respectivamente.

A Comissão Europeia (CE, órgão executivo da União Europeia) reconheceu que estes números "infelizmente não são uma surpresa".

O Executivo da UE reconheceu que a economia europeia enfrenta uma grave crise, mas acredita que as medidas de reativação iniciadas nos países-membros e em nível de bloco impulsionem uma melhora gradual, de modo que o PIB volte a crescer a partir do segundo semestre.

A porta-voz de Assuntos Econômicos e Monetários da Comissão, Amelia Torres, se mostrou convencida de que as medidas para frear a recessão darão resultado, mas advertiu que vai levar tempo.

Segundo as previsões de Bruxelas, a atividade vai continuar se contraindo no primeiro trimestre, mas os planos anticrise deveriam permitir que a evolução do PIB fique em território neutro ou positivo a partir do segundo semestre. EFE epn/ma

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