Bruxelas, 5 out (EFE).- A cúpula do Fórum Ásia-Europa (Asem), que agrupa a União Europeia e mais 20 países da Ásia e da Oceania, concordou hoje que devem ser mantidas as reformas econômicas e do sistema financeiro internacional para enfrentar a crise e evitar que ela se repita.

Bruxelas, 5 out (EFE).- A cúpula do Fórum Ásia-Europa (Asem), que agrupa a União Europeia e mais 20 países da Ásia e da Oceania, concordou hoje que devem ser mantidas as reformas econômicas e do sistema financeiro internacional para enfrentar a crise e evitar que ela se repita. A reunião em Bruxelas acontece pouco mais de um mês antes da próxima cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos do mundo e os principais emergentes), na Coreia do Sul, da qual participarão 12 membros do Asem. Os quase 50 países representados se comprometeram a realizar "reformas estruturais, deixando para trás os modelos que criaram debilidades no período anterior à crise, incluindo os déficits públicos excessivos, dívidas insustentáveis", segundo o documento final. O presidente do Conselho Europeu e anfitrião da reunião, o belga Herman Van Rompuy, divulgou ao término da cúpula que "ainda fica um grande trabalho por fazer" e ressaltou que a reforma do sistema financeiro é a "prioridade número um". "Os cenários de crise na Ásia e Europa são diferentes, mas é preciso que os países coordenem as políticas econômicas" para promover uma recuperação em ambas as regiões, assegurou Lee Myung-Bak, presidente da Coreia do Sul. Neste sentido, Lee acredita que a cúpula do G20 produzirá resultados concretos e considerou que a reunião de Bruxelas, da qual participaram 12 dos 20 líderes que viajarão a Seul, contribui para alcançar essas conquistas. Os líderes expressaram seu apoio ao processo de modernização do Fundo Monetário Internacional (FMI) mediante uma cessão da parcela de representação dos países europeus em direção às nações emergentes. Diante das constantes solicitações neste sentido, os países europeus anunciaram na sexta-feira passada sua disposição em ceder parte de sua parcela de representação às nações em desenvolvimento, com o objetivo de equilibrar o poder no FMI, encarregado de financiar os países atingidos por crises monetárias ou fiscais. A cúpula demonstrou também, novamente, o interesse por acordos de livre-comércio entre a UE e países asiáticos, pactos almejados por ambas as partes após o congelamento das negociações da Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial. O bloco europeu e a Coreia do Sul assinarão seu acordo comercial amanhã, e terão início esta noite negociações para acerto semelhante com a Malásia. A UE mantém negociações ainda para acordos comerciais com Índia e Cingapura, e estima iniciar conversas do tipo com o Vietnã em breve, indicaram fontes da comunidade à Agência Efe. O Japão, por sua vez, manifestou hoje que espera iniciar as negociações para um acordo de livre-comércio com a União Europeia "o mais rápido possível", de preferência na cúpula bilateral prevista para abril ou maio de 2011. Além das questões econômicas, o Fórum Asem se mostrou hoje a favor de alcançar "de forma urgente" um acordo global e vinculativo sobre a luta contra as mudanças climáticas. A cúpula destacou ainda a importância de encontrar uma solução negociada para o programa nuclear do Irã, assim como o reatamento das negociações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte (das quais participam as duas Coreias, China, Japão, Estados Unidos e Rússia), suspensas desde dezembro de 2008. Outra conclusão do Asem foi a determinação de lutar contra a pirataria marítima, assegurando que as iniciativas internacionais de patrulhas em torno da Somália e dos estreitos de Malaca (que separam a Indonésia da Malásia) "são eficazes e merecem apoio". EFE rcf-mgs/pa

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