Genebra, 29 jul (EFE).- O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, confirmou hoje que, com o fracasso da Rodada de Doha, a União Européia (UE) não assinará com a América Latina o acordo que previa a redução das tarifas européias à importação de bananas.

Em entrevista coletiva, Mandelson admitiu que um pacto com os 11 países produtores da América Latina teria colocado fim a "16 anos de disputas", mas que o mesmo não pôde ser concretizado porque, para Bruxelas, ele deveria fazer parte de um acordo geral dentro das negociações de Doha, que terminaram sem sucesso.

De acordo com o pacto negociado, a tarifa que a UE aplica atualmente sobre as bananas importadas da América Latina, de 176 euros por tonelada, seria reduzida gradualmente a partir do ano que vem, até chegar a 114 euros por tonelada em 2016.

Mandelson frisou que a disputa sobre as bananas é "parte" da negociação geral que cerca de 30 ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC) mantiveram durante nove dias para desbloquear a Rodada de Doha, voltada para a liberalização dos mercados mundiais.

"Esperávamos aprová-lo dentro de um acordo amplo, com outros assuntos, como o algodão", disse o comissário.

O representante europeu não fez mais comentários, limitando-se a dizer que agora é preciso estudar alternativas.

No entanto, os países da América Latina, que tinham classificado o compromisso como "histórico", o consideram válido e independente do resultado da Rodada de Doha.

"A UE terá que reduzir as tarifas. Caso contrário, é como se descumprisse um contrato", declarou à Agência Efe o embaixador da Costa Rica na OMC, Ronald Saborío. EFE ms/sc

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