Nice (França), 13 set (EFE) - Os ministros de Finanças da União Européia (Ecofin) deixaram hoje claro que não são favoráveis a inovações para enfrentar a crise econômica, e concordaram em combatê-la com os instrumentos usados há anos, principalmente o rigor orçamentário e as reformas estruturais.

Conscientes de que a origem do problema está nos mercados financeiros, insistiram na importância de que recuperem um "funcionamento normalizado".

Com esse objetivo, explicou a ministra francesa, Christine Lagarde, os titulares seguem apostando em aumentar a transparência e em garantir que todos os atores do setor financeiro assumam suas responsabilidades.

Sobre isso, Lagarde expressou satisfação com que a maioria das grandes entidades financeiras da UE já tenham informado, como os líderes pediram há meses, das perdas causadas pelas turbulências financeiras e do grau de exposição a ativos com problemas.

A única decisão concreta que saiu da reunião informal do Ecofin realizada entre sexta-feira e hoje na localidade francesa de Nice para definir uma resposta comum à crise foi pedir ao Banco Europeu de Investimentos (BEI) que reforce o apoio financeiro às pequenas e médias empresas.

Em um contexto de falta de liquidez e endurecimento das condições de financiamento, os 27 países-membros do bloco querem garantir que as pequenas e médias empresas européias tenham recursos para se manter.

Concretamente, o BEI deverá aumentar para 15 bilhões de euros as linhas de financiamento às pequenas e médias empresas até 2009, 50% mais que o previsto, e até 30 bilhões de euros até 2011.

A ministra francesa, que ocupa a Presidência do Ecofin, insistiu em que, no contexto atual, os Governos devem seguir respeitando o Pacto de Estabilidade, que estabelece como objetivo a redução do déficit público, que, em nenhum caso, deve superar 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os Executivos devem também seguir com as reformas estruturais e, no âmbito financeiro, melhorar os mecanismos de supervisão e de avaliação dos riscos.

O comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquín Almunia, se mostrou satisfeito ao constatar que os 27 países-membros compartilham o diagnóstico sobre as causas da desaceleração -a inflação, a taxa de câmbio e as turbulências financeiras- e também concordam com a resposta.

Almunia coincidiu com Lagarde em que a UE já conta com os meios adequados para combater a crise e devolver a confiança na economia européia e não precisa buscar instrumentos novos.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, falou, por sua parte, do risco de que sejam gerados efeitos de "segunda ordem" da inflação, com aumentos encadeados de outros preços e dos salários.

Ele lembrou do que aconteceu na década de 1970, quando houve o primeiro choque do petróleo, e o contágio das altas foi "catastrófico", com a inflação cada vez mais alta e desemprego em massa.

Na sessão de hoje, os ministros discutiram também a ampliação do catálogos de produtos e serviços que se beneficiam de um tipo de IVA reduzido, na qual, mais uma vez, ficou claro que os Estados-membros estão divididos em dois blocos a favor e contra a modificação.

Embora o acordo pareça muito difícil, pois a questão requer a unanimidade dos países-membros, decidiram continuar trabalhando nisso e encarregaram à Comissão que elabore um relatório sobre as vantagens e desvantagens das diferentes propostas sobre a mesa e suas implicações orçamentárias. EFE epn/db

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