O órgão executivo da Europa, a Comissão Europeia, desmentiu ontem, em Bruxelas, que os 27 países do bloco estejam planejando um pacote de socorro à Grécia de ¿ 20 bilhões a ¿ 25 bilhões, entre empréstimos e garantias. A informação havia sido divulgada no fim de semana pela revista alemã Der Spiegel e se referia a um suposto plano de auxílio às contas gregas ao qual o governo da Alemanha estaria refletindo.

A intenção, afirmam as autoridades de Bruxelas, é que o país mediterrâneo refinancie sua própria dívida a partir de abril.

Os rumores relativos a um suposto programa de socorro financiado pelos 16 países da zona do euro à Grécia circulam desde o agravamento da crise de confiança do país, em novembro de 2009. Mas estariam se concretizando, segundo a Der Spiegel, após a concordância de Berlim em apoiar o plano de reorganização fiscal grego com um empréstimo de ¿ 4 bilhões a ¿ 5 bilhões. A França, o outro grande motor da zona do euro com saúde financeira estável, também interviria, com um montante pouco inferior, proporcional a seu Produto Interno Bruto (PIB).

Os desmentidos sobre o pacote foram reiterados ontem, em Bruxelas. "Tal projeto não existe porque a Grécia nunca solicitou nenhum euro de ajuda financeira", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Amadeu Altafaj. Ao longo do fim de semana, o Ministério das Finanças da Alemanha já havia advertido que as informações sobre um plano de ajuda eram inverídicas.

Apesar dos desmentidos, entendem analistas europeus, o país pode ser forçado a contribuir. Isso porque, segundo relatório do órgão regulador do sistema financeiro alemão, o Bafin, a exposição dos bancos do país aos países PIIGS - Portugal, Itália, Irlanda e Grécia - é gigantesco: ¿ 522,4 bilhões. Só o Hypo Real State, instituição já muito afetada pela crise dos créditos de alto risco, os subprimes, em 2008, teria ¿ 9,1 bilhões investidos em papéis desses países.

A Grécia está sob supervisão orçamentária da União Europeia por causa da explosão de seu déficit fiscal, mas é pressionada pelos parceiros europeus a cortar o déficit público sem ajuda externa - ainda mais após a revelação de que sucessivos governos maquiaram as contas públicas para facilitar o ingresso do país na zona do euro. Pelo pacote grego, o déficit público deve cair de 12,7% do PIB em 2009 para 8,7% neste ano, e chegar a 2012 dentro dos limites impostos pelo Tratado de Maastricht, ou seja, inferior a 3%.

As negativas sobre o pacote de ajuda não causaram grande interferência no mercado de câmbio. Ontem, a cotação do euro teve ligeira perda, fechando em US$ 1,3585, ante US$ 1,3608 na sexta-feira. A estabilidade, entretanto, não reflete a preocupação do mercado financeiro. "Os investidores europeus ainda estão claramente nervosos sobre o que espera o euro", afirmou à agência France Presse (AFP) Jane Foley, analista do escritório Forex. "Além dos problemas imediatos de endividamento da Grécia, o mercado se inquieta sobre a capacidade da zona do euro de manter sua unidade sem reforçar sua coordenação orçamentária."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.