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São Paulo, 19 nov (EFE) - O comissário de Energia da União Européia (UE), Andris Piebalgs, descartou hoje que os países-membros do bloco adotem alguma mudança na política comum de biocombustíveis motivada pela crise financeira internacional.

Piebalgs, que participa da "Conferência Internacional de biocombustíveis" em São Paulo, disse hoje em entrevista coletiva que a UE não reduzirá os planos de investimentos e metas em função da crise, "pois a bioenergia pode ser uma saída para a recuperação".

Para a UE, destacou Piebalgs, é "essencial" a meta de uso de um quinto de energia renovável no consumo até 2020 e, nesse sentido, comentou o potencial do Brasil como país produtor e exportador de etanol de cana-de-açúcar e biodiesel de oleaginosas.

"O Brasil é um país responsável e sério e se mostrou capaz de garantir o desempenho sustentável do setor de bioetanol", afirmou.

Em sua opinião, "o Governo brasileiro pode exercer sua fiscalização" sobre as condições de produção do etanol e cumprir as normas exigidas aos importadores europeus.

O comissário europeu se reuniu hoje com industriais brasileiros do setor da cana-de-açúcar e destacou que o grupo está disposto a negociar as condições para a exportação do etanol com tarifas menores, sem necessidade de levar o assunto a tribunais de arbitragem da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Estive reunido com especialistas brasileiros e nenhum deles mencionou a possibilidade de que os critérios propostos pela UE possam gerar alguma queixa na Organização Mundial do Comércio", ressaltou.

Piebalgs enfatizou que "o acordo é para facilitar a chegada do etanol brasileiro à Europa".

O comissário está à frente da elaboração da diretriz da UE sobre fontes renováveis de energia, documento que reúne os critérios que devem ser adotados para a produção e importação de combustíveis alternativos no bloco até 2020.

No entanto, a matriz que será usada ainda não foi definida e poderia ser escolhida entre o etanol, o biodiesel ou a eletricidade gerada por fontes renováveis como o mesmo álcool combustível.

A conferência em São Paulo, que termina na sexta-feira, aborda a perspectiva dos biocombustíveis e sua relação com a mudança climática, a segurança alimentar, as novas tecnologias e o mercado mundial, entre outros aspectos.

Apesar de a reunião ter enfatizado as vantagens da produção dos "combustíveis verdes", organizações sociais que fazem um seminário paralelo denunciaram as péssimas condições trabalhistas dessa indústria e o impacto da mesma sobre o meio ambiente. EFE wgm/db

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