Genebra, 15 - A União Européia (UE) fecha o cerco contra um cartel mundial da banana que envolveria empresas que atuariam até mesmo no Brasil. A Comissão Européia anunciou uma multa de US$ 82,9 milhões contra as empresas norte-americanas Dole e Del Monte.

As duas empresas são importadoras de bananas, que em sua maioria são produzidas na América Latina.

Segundo as autoridades, as empresas operavam um "cartel ilegal" no comércio mundial de bananas. A gigante americana Chiquita também fazia parte do cartel. Mas foi poupada de uma multa milionária porque decidiu dar informações sobre o que ocorria por baixo da mesa de negociações.

A Dole, também americana, foi multada em US$ 62,7 milhões por sua atuação no cartel, entre 2000 e 2002. Uma empresa alemã que era a responsável por importar os produtos, a Weichert, também terá de pagar US$ 20,2 milhões em multas. Segundo a UE, a Del Monte também é responsável, já que no início da década era quem controlava a empresa alemã de importações.

A investigação provou que o cartel fixava preços de bananas na Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Luxemburgo, Holanda e Suécia, num mercado avaliado em US$ 3,4 bilhões.

Tarifa Única

Em janeiro de 2006, a UE criou novas regras de importação de bananas, fixando uma tarifa única, de 176 euros que substituiu a tarifa de 680 euros por tonelada. Empresas multinacionais, como a Del Monte e a Dole foram algumas que iniciaram investimentos no Brasil, pensando nesse mercado europeu.

Entre 2005 e 2006, o Brasil elevou suas exportações em 45% para a UE. Em 2007, o crescimento também foi importante. Na época da investigação, porém, as vendas brasileiras não eram significativas. Mas o Brasil, pressionado por essas empresas hoje condenadas, tentava negociar com a Europa uma cota especial para a exportação de seus produtos, no marco do acordo Mercosul - União Européia.

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