A União Europeia (UE) deu 30 dias para que a Grécia prove que seu plano de ajuste pode dar resultados, mas já alertou que vai impor reformas profundas se não ficar satisfeita com os avanços. A UE pôs a economia grega sob tutela.

Essa é a primeira vez que isso ocorre desde a criação do euro.

Mas, atendendo a um pedido de Atenas, Bruxelas indicou publicamente aos mercados que teria recursos suficientes para resgatar a economia grega. A decisão da UE de praticamente acabar com a soberania grega em termos financeiros foi bem recebida pelo mercado. O euro teve a maior alta em um só dia desde julho, de 1,2%. As bolsas também tiveram resultados positivos. Em Londres, a alta foi de 1,5%, igual à da Alemanha. Em Paris, a alta foi de 1,7%. A Bolsa de Tóquio já abriu em alta de 1,35% nesta quarta-feira.

Ontem, ministros de Finanças da UE concluíram dois dias de reuniões onde foi discutida a crise grega. O apoio político condicionado dos europeus aos gregos, na semana passada, foi traduzido em um rígido calendário de exigências. "Se os riscos que ameaçam o cumprimento dos objetivos se materializarem, a Grécia deve anunciar medidas adicionais ainda em março", disse o comissário de Assuntos Econômicos da UE, Olli Rehn.

A vigilância forçada ainda prevê que, no dia 15 de maio, a Grécia apresente um novo relatório explicando as medidas que adotou para implementar as reformas. Para os 16 países que formam a zona do euro, medidas adicionais são praticamente inevitáveis. "A Grécia deve entender que os contribuintes da Alemanha, Holanda ou Luxemburgo não estão dispostos a corrigir as falhas do país", indicou o presidente da zona do euro, Jean Claude Juncker.

As medidas adicionais foram apresentadas ontem aos gregos: reformas do sistema previdenciário e de saúde; reforma da administração pública; do mercado interno; do clima para investimentos; e o aumento de produtividade e de empregos. Outra proposta é o aumento de imposto sobre valor agregado e mais taxas sobre bens de luxo.

A Europa foi tomada por uma turbulência nas últimas semanas diante do déficit público da Grécia de 12,7% e pelo risco de outras economias serem contagiadas. Atenas prometeu reduzir seu déficit em quatro pontos porcentuais em 2010 e atingir a taxa de 3% em 2012.

Dados divulgados ontem pelo Bank of America Merril Lynch indicam que administradores de fundos estão retirando suas aplicações da Europa e preferindo investir nos Estados Unidos e na Ásia. Segundo o levantamento, os investidores estão no momento mais pessimista desde março de 2009, no auge da crise.

O levantamento também indica que os fundos diminuíram de forma dramática a exposição à Europa diante da percepção de um risco de calote. "Ha uma perda de confiança do mercado com a Europa", afirmou Gary Baker, estrategista do Bank of America. Em janeiro, 74% dos administradores de fundo indicavam que a economia europeia cresceria em 2010. Agora, são apenas 51%.

Nesta semana, uma missão de técnicos da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional viajará a Atenas para garantir que as autoridades gregas adotarão as medidas de ajuste ainda esta semana.

Entre os ministros, o discurso era claro : a Grécia terá de fazer mais esforços se quiser contar com o apoio da UE. "O programa da Grécia é insuficiente", afirmou o ministro sueco de Finanças, Anders Borg. "A pressão sobre a Grécia aumentou para que pensem até o dia 16 de março sobre o que podem fazer mais", afirmou ministro austríaco de Finanças, Josef Pröll.

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